Cérebro pode raciocinar sem palavras, indica estudo de neurocientistas
Estudo revela que habilidades linguísticas e raciocínio lógico dependem de redes neurais totalmente distintas
Estudo confirma que o cérebro humano é capaz de raciocinar sem linguagem, apontando que redes neurais distintas se encarregam do raciocínio lógico e das habilidades linguísticas, com possíveis implicações para tratamentos de afasia e desenvolvimento de inteligência artificial.
Por milhares de anos, a conexão entre linguagem e pensamento tem sido um intenso debate filosófico e científico. Agora, neurocientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) apresentaram fortes evidências de que o cérebro pode raciocinar sem depender da linguagem. A pesquisa foi publicada em julho deste ano.
Como o estudo testou o raciocínio sem linguagem?
Os pesquisadores trabalharam a partir de jogos de lógica baseados em números e padrões visuais. O estudo foi feito com duas pessoas com severos danos linguísticos provocados por um AVC. Mesmo sem conseguir falar, ambos identificaram regras numéricas e completaram matrizes geométricas.
A investigação foi conduzida pela pesquisadora Hope Kean e pela professora Evelina Fedorenko, do McGovern Institute for Brain Research do MIT, em parceria com a neurocientista Rosemary Varley, da University College London.
O que os exames de imagem cerebral revelaram?
Exames de ressonância magnética em adultos saudáveis demonstraram que o sistema de linguagem do cérebro não é ativado durante o raciocínio indutivo nem no raciocínio dedutivo. A rede de demanda múltipla do cérebro atuou na busca por regras ocultas, mas não participou da avaliação de silogismos lógicos.
Durante os experimentos no MIT, participantes neurotípicos resolveram quebra-cabeças e problemas silogísticos do tipo "se-então" — "se a bola é vermelha, então ela é grande". O monitoramento mostrou uma divisão anatômica clara entre os circuitos responsáveis pela linguagem e as regiões voltadas ao processamento da lógica abstrata.
Quais são os impactos para a afasia e a inteligência artificial?
A descoberta confirma que pacientes com afasia grave preservam a inteligência e o raciocínio abstrato intactos, apesar das barreiras de comunicação. Isso também pode impactar ferramentas de inteligência artificial: o estudo indica que o cérebro humano separa linguagem e raciocínio, diferentemente dos grandes modelos de IA que processam pensamento puramente por texto.
De acordo com Evelina Fedorenko, a perda de capacidades verbais decorrente de afasia não afeta a capacidade de resolver problemas complexos ou gerenciar tarefas cotidianas.
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