Brasil adota IA na veloidade dos EUA, mas ainda não cria tecnologia própria, diz executivo da Databricks
Marcelo Sales, responsável pela engenharia da empresa na América Latina, afirma que o país eliminou o atraso histórico no uso de dados e inteligência artificial, embora siga sem um modelo fundacional brasileiro.
O atraso de até cinco anos que o Brasil já teve para adotar novas tecnologias deixou de existir. A avaliação é de Marcelo Sales, AVP e gerente-geral de engenharia de campo da Databricks para a América Latina, em entrevista durante o Data + AI Summit 2026, em São Francisco.
Sales conta que, no passado, chegava a observar defasagens de cinco anos entre o lançamento de uma tecnologia e sua adoção no Brasil. Hoje, segundo ele, a distância praticamente zerou.
"Hoje, eu acho que está muito pari passu. Tenho meus pares globais e, volta e meia, estou falando para eles de coisas que a gente está fazendo no Brasil, e eles dizem: 'preciso exatamente disso, pega o teu cliente para mostrar aqui para a gente'."
Por que o Brasil aplica bem, mas desenvolve pouco
A leitura de Sales tem uma ressalva importante. Para ele, o Brasil é rápido e criativo no uso da tecnologia, não na criação dela. O executivo resume o papel do engenheiro brasileiro como o de aplicar, com eficiência, aquilo que foi desenvolvido em outro lugar.
Ele cita o setor financeiro como exemplo desse perfil early adopter, incluindo o Pix. Na avaliação dele, o Pix é um caso de inovação no uso, e não na tecnologia de base, já que roda sobre tecnologias amplamente disponíveis no mercado, bem aplicadas ao contexto local. O movimento, diz Sales, não se restringe aos bancos: governo, em todas as esferas, e operadoras de telecomunicações também avançam.
A exceção fica no desenvolvimento de tecnologia fundacional. Sales aponta que o país não...
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