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Bactérias do intestino se dividem em linhagens ocultas e cruzam continentes, revela estudo

Pesquisa da Universidade de Viena identifica linhagens bacterianas ligadas a doenças crônicas e transmissão internacional acelerada

8 set 2026 - 17h06
(atualizado às 17h07)
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Resumo
Estudo da Universidade de Viena revela que bactérias intestinais têm linhagens ocultas ligadas a doenças crônicas e capacidade de cruzar continentes, transformando o entendimento do microbioma e impulsionando avanços em tratamentos personalizados.

O microbioma intestinal humano esconde uma complexidade muito maior do que a ciência acreditava até agora. Pesquisadores da Universidade de Viena revelaram que espécies de bactérias, antes vistas como unidades isoladas, são na verdade formadas por populações distintas, cada uma adaptada a nichos específicos do nosso corpo.

Foto: Imagem: gerada por IA / Portal Terra / TerrAI

Essa descoberta, publicada na revista Nature, pode mudar radicalmente a forma como entendemos a relação entre o intestino e a saúde humana. É o que mostra uma reportagem publicada pela revista Science nesta segunda-feira, 7. 

O intestino humano abriga trilhões de microrganismos responsáveis por regular digestão, imunidade e metabolismo. A prática tradicional da ciência de agrupar bactérias apenas por espécies amplas deixava ocultas variações genéticas que determinam se um microrganismo atua como protetor ou causador de enfermidades.

Como a ecologia reversa identificou as populações ocultas?

Os pesquisadores analisaram milhares de bacterianos isolados e grandes conjuntos de dados metagenômicos de pacientes de diversos países e faixas etárias, por meio de uma abordagem bioinformática chamada ecologia reversa. O método utiliza informações genômicas para rastrear como organismos se adaptam a condições ambientais específicas no trato digestivo.

A equipe identificou varreduras seletivas em todo o genoma, processo no qual uma mutação vantajosa faz uma linhagem prevalecer sobre indivíduos semelhantes. Essa seleção reduz a diversidade interna do grupo e gera linhagens com ancestralidade e funções biológicas uniformes.

"Se você não apenas contar as espécies, mas levar em consideração a adaptação evolutiva, poderá identificar as unidades biologicamente relevantes no microbioma com muito mais precisão", afirma Xiaoqian Annie Yu, pesquisadora do Centro de Microbiologia e Ciência de Sistemas Ambientais (CeMESS) da Universidade de Viena e autora principal do estudo.

Qual a relação entre as linhagens bacterianas e as doenças crônicas?

As populações bacterianas identificadas demonstraram ligações diretas com quadros clínicos específicos, incluindo câncer colorretal, diabetes tipo 2, doenças inflamatórias intestinais crônicas e envelhecimento avançado. A separação por linhagens permite identificar quais bactérias participam de processos patológicos e quais atuam apenas como elementos coincidentes no intestino.

"Mesmo dentro da mesma espécie bacteriana, algumas populações ocorrem com mais frequência do que outras em certas doenças. Quando todas são consideradas juntas, isso muitas vezes permanece oculto", destaca Xiaoqian Annie Yu.

As bactérias intestinais podem se espalhar entre continentes?

O estudo registrou que linhagens altamente competitivas têm capacidade de cruzar fronteiras internacionais e ocupar novos nichos ecológicos rapidamente. Esse comportamento de dispersão rápida por diferentes países era anteriormente documentado sobretudo em patógenos causadores de infecções graves.

"Nossas descobertas mostram que as bactérias intestinais também são mais dinâmicas do que se pensava anteriormente. Cepas bem adaptadas podem se espalhar internacionalmente e ocupar novos nichos ecológicos", explica Martin F. Polz, líder da pesquisa na Universidade de Viena.

Como a descoberta transforma o desenvolvimento de tratamentos?

Os resultados estabelecem que fatores como a transmissão interpessoal direta influenciam a composição do microbioma intestinal, indo além de elementos como dieta, medicamentos e estilo de vida. A diferenciação de linhagens abre caminho para a criação de biomarcadores precisos e medicamentos focados em eliminar cepas nocivas e preservar as benéficas.

Os pesquisadores da Universidade de Viena trabalham agora no mapeamento dos genes específicos que diferenciam essas populações bacterianas e na identificação das funções biológicas exatas desempenhadas por cada variação genética.

TerrAI Texto gerado com ajuda de Inteligência Artificial e editado pelo nosso time de jornalistas.
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