Agência francesa de medicamentos lista cerca de 20 efeitos colaterais graves da vacina contra o chikungunya
A Agência Nacional de Segurança de Medicamentos e Produtos de Saúde (ANSM) da França, órgão equivalente à Anvisa, registrou cerca de 20 casos de efeitos colaterais graves ligados à vacina Ixchiq contra a chikungunya desde o início de seu uso, em 2024. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (23) e a agência informou que não houve novos óbitos.
"Desde o início da vacinação, 62 casos de efeitos adversos, sendo 21 graves, foram declarados no território francês", afirma a ANSM. Entre 2 de junho e 31 de agosto de 2025, foram registrados "15 novos casos de efeitos adversos, incluindo três graves", segundo o novo balanço.
Os novos registros resultam de declarações tardias de vacinações realizadas antes do fim de abril de 2025 e da suspensão das injeções para pessoas com mais de 65 anos, segundo a ANSM. A vacina Ixchiq, do laboratório Valneva, é uma das poucas disponíveis contra a chikungunya, doença viral transmitida pelo mosquito Tigre e que provoca febre e dores articulares.
No Brasil, o vetor da doença é o Aedes aegypti. O registro da vacina, recomendada para maiores de 18 anos, foi aprovado pela Anvisa em 2025, mas o imunizante é contraindicado para mulheres grávidas, pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas.
A vacina enfrentou diversos obstáculos no mercado mundial no ano passado. Nos Estados Unidos, sua licença foi suspensa no fim de agosto depois de quatro novos casos de efeitos adversos graves.
Na França, o lançamento já havia sido prejudicado nos territórios ultramarinos após vários relatos de efeitos graves, todos em pessoas idosas, incluindo ao menos um óbito no departamento de Reunião, atingido por uma grande epidemia de chikungunya no início de 2025.
UE autorizou vacina para pessoas com mais de 65 anos
A União Europeia voltou a autorizar a vacina em julho de 2025 e considerou positivo seu custo‑benefício para pessoas acima de 65 anos, que estão mais propensas a desenvolver formas graves da doença. A França, porém, manteve a contraindicação para idosos.
A Ixchiq também não é recomendada para pessoas com o sistema imunológico enfraquecido por doença ou tratamento médico e está associada a risco de encefalopatia e encefalite em idosos com comorbidades.
O risco potencial de meningite asséptica — inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula, não causada por bactérias — já havia sido identificado entre idosos e agora também está sob monitoramento em jovens adultos saudáveis, após o relato de um caso.
Com agências