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Domínio de IA de código aberto pela China ameaça liderança dos EUA, diz órgão consultivo

23 mar 2026 - 11h33
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O domínio da inteligência artificial de código aberto pela ‌China está criando uma "vantagem competitiva autorreforçada", permitindo que ela desafie os rivais dos Estados Unidos, apesar do acesso restrito a chips avançados de IA, disse um órgão consultivo do Congresso dos EUA nesta segunda-feira.

Impulsionados pelo custo mais barato, os modelos chineses de linguagem grande de empresas como Alibaba, Moonshot e MiniMax agora dominam as classificações mundiais de uso em plataformas como HuggingFace e OpenRouter.

O impulso ⁠de Pequim para implantar a IA em uma ampla gama de setores para atualizar sua base de ‌produção, fábricas, redes de logística e robótica está gerando dados do mundo real que alimentam o aprimoramento do modelo, segundo o relatório.

"Esse ecossistema aberto permite que a China inove perto da ‌fronteira, apesar das restrições significativas de computação", escreveu a Comissão ‌de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China em um relatório publicado nesta segunda-feira.

"Os laboratórios chineses ⁠reduziram as lacunas de desempenho em relação aos principais modelos ocidentais de linguagem de grande porte", acrescentou.

Os parlamentares dos EUA impuseram sucessivas rodadas de restrições de exportação à China desde 2022, proibindo-a de adquirir os chips de IA mais avançados, embora Washington tenha aprovado as exportações do segundo chip mais avançado da Nvidia em dezembro.

Empresas norte-americanas, incluindo a OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, e a Anthropic, ‌criadora do Claude, bem como gigantes tradicionais da tecnologia, investiram bilhões de dólares para permanecer na vanguarda ‌da nova tecnologia. Mas sua posição ⁠pode estar ameaçada.

"A proliferação ⁠de modelos abertos cria caminhos alternativos para a liderança da IA", afirma o relatório.

CHINA PRONTA

Algumas estimativas sugerem que cerca ⁠de 80% das startups de IA dos EUA ‌agora usam modelos chineses de IA ‌de código aberto.

O inovador modelo R1, da DeepSeek, lançado no ano passado, rapidamente ultrapassou o ChatGPT como o modelo mais baixado na App Store dos EUA. E a família de modelos Qwen, da Alibaba, ultrapassou o Llama, da Meta  em downloads cumulativos globais, de acordo ⁠com a HuggingFace.

À medida que as fronteiras da IA mudam dos grandes modelos de linguagem para a IA agêntica e a IA física, ou incorporada, a China pode estar mais bem posicionada para capitalizar seus esforços de coleta de dados em massa para impulsionar o desenvolvimento de robôs humanoides, software de direção autônoma ou até mesmo tecnologias ‌de dupla finalidade, segundo o relatório.

"Há uma pequena lacuna de implementação no espaço de IA incorporada entre os EUA e a China. Isso é algo que, com o passar do tempo, vai ⁠se agravando... Estamos começando a ver isso se agravar agora", disse Michael Kuiken, vice-presidente da comissão, à Reuters.

A comissão também está observando como a China usa a IA em setores como biotecnologia, computação quântica e materiais avançados, acrescentou.

Pequim designou a IA incorporada como um setor estratégico central para o futuro, e muitas das principais empresas chinesas de robótica humanoide planejam abrir o capital este ano.

Apesar dos avisos de algumas organizações de pesquisa ocidentais sobre os possíveis riscos de segurança de uma dependência excessiva dos modelos chineses de IA de código aberto e de seu viés político em relação às posições do governo chinês, muitas empresas os estão adotando mesmo assim.

O presidente-executivo da Siemens, Roland Busch, disse mais cedo nesta segunda-feira que não havia "nenhuma desvantagem" em usar a IA chinesa de código aberto para treinar os modelos de IA da empresa alemã especializados em automação industrial, citando sua vantagem de custo e facilidade de personalização de parâmetros.

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