A "tigela de arroz da energia": China é o único país do mundo que respira aliviado em meio à iminente crise energética
Enquanto Ocidente entra em pânico com bloqueio das rotas marítimas, Pequim está recorrendo a reservas massivas e a implementação sem precedentes de energias renováveis Obsessão de Xi Jinping com autossuficiência energética protegeu país da volatilidade global dos combustíveis fósseis No entanto, sua "Grande Muralha" apresenta rachaduras
A Terceira Guerra do Golfo já começou e o mercado global de petróleo está à beira do colapso. O bloqueio do Estreito de Ormuz desencadeou um pânico logístico sem precedentes e catapultou o preço do petróleo Brent para bem mais de US$ 100 o barril (R$ 524). O pânico é palpável em todo o continente asiático: as Filipinas estão reduzindo a jornada de trabalho, Singapura está enviando funcionários de escritório para trabalhar remotamente e a Tailândia está intervindo desesperadamente nos preços do diesel.
A apenas alguns milhares de quilômetros de distância, a China observa o caos global com uma indiferença quase insultuosa. O gigante asiático não foi salvo pela providência, mas por um planejamento meticuloso. Assim como séculos atrás ergueu uma vasta infraestrutura de pedra para deter invasões nômades, Pequim passou mais de uma década construindo uma Grande Muralha invisível para se isolar da volatilidade dos combustíveis fósseis.
As sementes dessa resiliência remontam a cinco anos atrás. Em 2021, durante uma visita a um campo de petróleo, o presidente Xi Jinping declarou que a China deve manter seu "celeiro de arroz energético" firmemente em suas próprias mãos. Segundo o The Economist, aplicar essa metáfora tradicional (historicamente usada para apelar à soberania alimentar) à energia deixou clara uma obsessão do Estado: o país iria se preparar incansavelmente para o pior cenário possível.
A paciência é uma boa aposta?
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