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Exército, PM e PF mudam a rotina em Buritis
Policiais militares montaram um
acampamento no município
(Agência Estado)

Sexta, 15 de setembro de 2000, 19h19min
O município de Buritis vive uma situação inédita. De um lado da Fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, estão acampados 100 homens do Batalhão de Missões Especiais da Polícia Militar de Minas Gerais. Do outro lado estão 380 sem-terra, que começam a arregimentar mais pessoas para voltar a fazer protestos na frente da fazenda. Dentro da Córrego da Ponte, o Exército faz simulações de guerra, com alguns soldados se arrastando no chão, e a Polícia Federal vigia a porteira.

O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que em nenhum momento havia enviado a PM para a fazenda enquanto os sem-terra estavam acampados no local, reforçou hoje o efetivo. Colocou 100 homens na área. Eles chegaram em dois ônibus e três viaturas, assustando a população do vilarejo de Unidos do Sul, a seis quilômetros da entrada da fazenda. Alguns policiais não têm coldre e carregam os revólveres nos bolsos. Também está no local o Centro de Apoio, Computação e Informática da PM - um Fiat Fiorino com alguns transmissores de mão e colchões.

Além de um helicóptero, que fez vários vôos sobre as 14 casas da comunidade e desceu em alguns pastos, a PM instalou uma central de comunicações em uma torre desativada de telefonia, de 35 metros. Um soldado subiu e fez o serviço sem equipamentos de segurança. A PM levou ainda geradores e barracas de lonas verdes que começaram a ser montadas no fim da tarde.

"Isso aqui virou uma coisa sem pé e sem cabeça", disse Anice Koch, 55 anos, uma agricultora gaúcha que montou comércio em Unidos do Sul, onde a PM está acampada. Anice lamenta não estar com a filmadora de seu cunhado para registrar cenas."Dava algumas videocassetadas", disse. A agricultora considera o governador Itamar Franco é "o mais errado" na disputa política com o presidente Fernando Henrique Cardoso. "O Itamar já foi presidente e conhece a situação", disse. Para ela o governador está dando mau exemplo.

Dentro da fazenda, os 295 homens do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP) do Exército fazem exercícios de guerra. Um dos militares disse que os soldados estão gostando da experiência. Os agentes do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (COT), treinados para ações contra o narcotráfico, vigiam dia e noite a porteira da fazenda. A maioria diz que torce para que tudo acabe logo e não haja qualquer tipo de conflito que possa atingir a imagem da corporação.

Alheio à disputa política entre Presidência da República e governo de Minas Gerais, envolvendo a presença do Exército na região, o Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) promete voltar para a entrada da fazenda. Um dos coordenadores nacionais do movimento, Lucídio Ravanello, disse que o governo traiu o MST ao não negociar depois que os sem-terra desocuparam prédios públicos em vários Estados e desmontaram o acampamento perto da fazenda Córrego da Ponte.

Os sem-terra transferiram o acampamento para um pátio no distrito de Serra Bonita, a 16 quilômetros da entrada da fazenda. Alguns sem-terra estão voltando para seus acampamentos, mas serão substituídos por outros "mais descansados", conforme informação dos organizadores da manifestação. O MST tem até domingo para desocupar o pátio.

Ravanello afirmou que a maioria dentro do MST quer invadir a fazenda da família do presidente Fernando Henrique Cardoso. "A vontade de nosso pessoal é afiar as foices e ir para lá e dar um grito, que todo mundo corta tudo, está difícil de controlar nosso povo", afirmou Ravanello. O coordenador disse que o MST aposta no "desgaste" do governo. "Com este nosso segundo recuo, a sociedade fica do nosso lado", acredita.

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Agência Estado

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