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Presidente do STF defende acordo entre Itamar e FHC

Sexta, 15 de setembro de 2000, 18h26min
Atualizado às 02h07

“É preferível um mau acordo a uma boa derrota.” O ditado mineiro foi citado ontem pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, após conversar à noite com o governador de Minas, Itamar Franco, sobre o problema da Fazenda Córrego da Ponte. Segundo Velloso, Itamar deu sinais de que poderia chegar a um entendimento com Fernando Henrique.

“Ele espera apenas que o outro lado se manifeste”, informou. Do “outro lado”, em Brasília, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, ressaltou que o Palácio do Planalto está confiante num desfecho favorável para a proteção à propriedade dos filhos do presidente. “As últimas declarações do governador Itamar Franco indicam que ele está disposto a assumir o compromisso de guardar a fazenda”, disse.

O ministro Velloso deve conversar hoje pela manhã com FHC em Brasília. “Vejo ambas as partes desejosas de pôr fim ao impasse”, afirmou. Já o general Cardoso esforçou-se para manter um discurso conciliador. Segundo ele, o presidente acatará qualquer decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o uso de tropas do Exército e agentes da Polícia Federal para garantir a segurança da fazenda. A decisão sobre a liminar requerida por Itamar é esperada para hoje cedo.

A obediência do presidente, entretanto, não esvazia a percepção do governo de que a retirada dos soldados pressupõe que a PM de Minas impedirá que a ameaça de invasão por militantes do MST se concretize. Apesar do tom otimista do general Cardoso, os 250 soldados do Batalhão da Guarda Presidencial permaneceram em Buritis durante toda a noite de ontem e não há previsão para a sua retirada do local. “A ameaça continua”, justificou Cardoso, referindo-se à permanência de militantes do MST nas imediações da propriedade.

Itamar Franco, entretanto, condiciona o uso da sua força policial à retirada dos soldados federais. “O Exército não está batendo o pé para ficar, eles saem na hora”, frisou Cardoso. Ele não soube explicar, entretanto, que mecanismo daria ao Planalto a garantia do compromisso dos policiais mineiros. “Não há necessidade de uma declaração formal do governador, mas precisamos ter certeza”, desconversou.

Ataques – Apesar de ter dito a Velloso estar disposto a fazer as pazes com FHC, Itamar não pareceu ansioso para pôr um ponto final na troca de farpas e acusações. O governador afirmou estar disposto a investigar denúncia de irregularidades na compra da Fazenda Córrego da Ponte, já esclarecida pelo presidente, ainda quando ministro da Fazenda. Itamar, que foi ao STF pedir a retirada das tropas federais da fazenda, deveria regressar ontem a Minas, mas mudou de idéia, por causa da tal investigação.

Ele criticou o governo federal, dizendo que a sociedade convive com uma “corrupção endêmica”. Pediu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a administração Fernando Henrique e sua passagem pela presidência, entre 1992 e 1994.

Segundo uma reportagem publicada em 1993 e citada por Itamar, FHC e o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, morto em 1998, teriam adquirido a fazenda de mais de mil hectares por NCz$ 6 mil (6 mil cruzados novos), o que equivaleria na época a US$ 2 mil, enquanto o proprietário anterior teria comprado o imóvel por US$ 140 mil.

Itamar anunciou que determinará à Secretaria de Fazenda do Estado um exame fiscal da propriedade, que ameaça desapropriar. Ontem à tarde, Itamar surgiu com um desenho da fazenda que ele disse ter feito graças à sua experiência como topógrafo. O tal desenho, informou, será entregue à procuradora do Estado, Misabel Derzi.

O governador atribuiu a pessoas ligadas ao Planalto a denúncia de irregularidade na compra por ele de um apartamento em Washington. Ele disse que adquiriu o imóvel com a filha Georgiana, em 1999 e garantiu que a transação consta de sua declaração de rendas de 2000. Não apresentou cópia da declaração. “Querem me provocar”, afirmou, prometendo providências contra os responsáveis pela “denúncia caluniosa”.

Aos jornalistas, Itamar disse que fora abordado por um desconhecido, que o alertou para o risco de ser assassinado. O governador mineiro negou ter medo de ameaças. “Nem uso revólver”, garantiu. Ele pediu ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, o rastreamento das ações desenvolvidas pelo Ministério e pelo Banco Central durante o período em que foi presidente da República. O objetivo, informou, é saber dos passos do então ministro Fernando Henrique e do presidente do BC à época, Pedro Malan.

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Agência Estado / O Estado de S. Paulo

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