O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, reiterou hoje que as negociações com o Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra só serão retomadas após a volta aos assentamentos. "Sem que isso aconteça, estaríamos negociando sob ameaça", argumentou. Para Jungmann, apesar de os manifestantes terem deixado ontem (14) a frente da fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG), a situação está inalterada."Ao sair da porteira e se instalar a uma distância de 12 ou 15 quilômetros, o MST nada mais fez do que ampliar o tempo de acesso à fazenda de alguns segundos para alguns minutos". Além disso, considera as ameaças de ocupação "um ato político, uma provocação, uma chantagem", pois a fazenda, garante, é produtiva e não há qualquer razão para o MST estar ali, não fosse o fato de ser uma residência eventual do presidente da República.
Jungmann afirmou ainda que "o MST está sendo usado pelo governador Itamar Franco e, obviamente, não está se prestando a um bom papel". O ministro repetiu: quando os sem-terra retornarem ao seus assentamentos a liderança local do movimento será recebida em Buritis pelo superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de MG. "Ato contínuo, determinarei a inclusão da direção nacional do MST em minha agenda".
Jungmann esteve hoje em Praia Grande, no litoral sul paulista, para participar da abertura do Seminário Nacional de Lideranças da Terra, em que foram lançadas as bases do movimento Força da Terra, uma espécie de MST da Força Sindical. "Está sendo criada uma nova forma de se discutir a reforma agrária num modelo em que todos ganhem", garantiu o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado de São Paulo, Mauro Alves da Silva, um dos coordenadores do novo movimento.