O ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, disse há pouco à Agência Estado que será feita agora pela manhã uma avaliação da situação em Buritis (MG), sobre a disposição dos sem-terra de permanecerem afastados da fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso e da Polícia Militar de Minas de proteger o local e impedir uma eventual invasão. Somente depois dessa avaliação é que será decidido se as tropas federais serão retiradas ou não da fazenda do presidente. Mas quem decide, segundo o ministro, é o presidente Fernando Henrique Cardoso. Para o ministro, a discussão em torno da proteção da fazenda é aritmética.
Enquanto os sem-terra estavam acampados a 60 quilômetros da fazenda Córrego da Ponte, as tropas federais estavam a 200 quilômetros, em Brasília. Hoje, com os sem-terra a 12 quilômetros, o governo precisa ter a certeza de que eles não estão blefando, ou se pretendem acampar novamente em frente a fazenda Córrego da Ponte.
Ao mesmo tempo, o governo federal quer ter a certeza de que a Polícia Militar de Minas Gerais está disposta a guarnecer o fazenda do presidente, no caso de nova ameaça de invasão. "Temos que lançar a tropa com prazo útil para atuar preventivamente", defendeu. Segundo o ministro, a ação tem que ser preventiva e não repressiva.
Na avaliação dele, na última ameaça dos sem-terra de invadir a fazenda houve muita perda de tempo com a troca de fax entre o governo federal e o governo mineiro. "Se ficarmos trocando fax sem ter a certeza de que a PM vai defender a fazenda, acabamos deixando o local vulnerável", observou. "A única certeza que temos é que o local não pode ser invadido", acrescentou o ministro, reafirmando que a fazenda é um símbolo de autoridade do presidente e que nesse caso não pode ser atingida.
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