Um jogo por respeito dentro e fora das quadras em BH

Pioneira no movimento de times esportivos LGBTQIA+, equipe representará Minas Gerais no campeonato de handebol mais importante da liga

29 jun 2022 - 05h00
(atualizado às 12h16)
 No Mineirão. Primeiro time LGBTQIA+ que jogou num estádio de futebol oficial.
No Mineirão. Primeiro time LGBTQIA+ que jogou num estádio de futebol oficial.
Foto: Arquivo Pessoal

Quando o assunto é esporte, geralmente as reações são associadas à ideia de união, paz, igualdade e diversidade. Em contrapartida, quando se trata de homossexualidade no meio esportivo, em especial no futebol, ainda é um tabu. A intolerância e a afirmação da masculinidade dificulta o acesso de quem foge ao padrão imposto pela maioria.

Mesmo com alguns direitos já adquiridos por muitos atletas da comunidade LGBTQIA+, a realidade ainda é de barreiras diárias contra o fim do preconceito. Nesse cenário, surgem movimentos a fim de reunir pessoas interessadas em praticar esporte e que se sentem excluídas.

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Em junho de 2017, Gustavo Mendes, 29, fundou o Bharbixas Esporte Clube e logo no primeiro treino contou com 25 jogadores de futebol entre 18 e 40 anos, formados por homens cis, bi e gays das favelas e periferias da capital. Os treinos são semanais e acontecem em uma escola pública da Pedreira Prado Lopes, favela mais antiga de Belo Horizonte. Os jogadores se encontram para confraternizar e conversar sobre os jogos nos bares da cidade, o que complementa a inspiração para a junção do nome: BH+bar+bixas.

Gustavo Mendes criou o Bhrabixas ao reunir amigos em comum no futebol.
Foto: Arquivo Pessoal

O projeto tomou proporção e alcançou visibilidade internacional, já no mesmo ano, após conquistar o primeiro lugar da primeira edição da Champions Ligay, campeonato formado por jogadores gays, inspirado no campeonato europeu, Liga dos Campeões. "A taça representa o orgulho não apenas pela vitória no campo, mas também pelo triunfo contra o preconceito", relembrou Gustavo. Com o sucesso, o time ampliou as modalidades esportivas e hoje, além do futebol, conta com vôlei, handebol, fit dance e rugby LGBT.

Este ano foi a vez do time de handebol. A equipe saiu preparada para o maior evento nacional da categoria. A Queer Cup retornou para sua terceira edição que aconteceu em São Paulo. A disputa do Bharbixas foi com os times Fadas Handebol, Bulls e Lendários. Os jogadores de BH conquistaram o vice-campeonato e já estão se preparando para novos desafios e pela conquista do ouro para o orgulho dos mineiros.

Equipe de Handebol
Foto: Arquivo Pessoal

Mais que carácter poliesportivo, o clube cresceu e se expande a cada dia como atuante na luta diária pela inclusão. Uma das frentes do time é de levantar a bandeira da diversidade com atletas afeminados, gordos, magros, malhados, negros, brancos, transexuais, drags e todos das comunidades que quiserem se reunir em prol do esporte.

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"Como frente de resistência, percebemos que ocupar um espaço historicamente dominado por homens heterossexuais é uma forma de empoderamento e luta. É uma quebra de paradigmas de uma sociedade machista e homofóbica que envolve o esporte de maneira geral", afirma Gustavo, presidente do Clube.

Mascote do Bharbixas Esporte Clube
Foto: Divulgação

O clube participa e se posiciona em eventos como a parada gay, que acontece na capital mineira. "Não era nosso intuito ser um canal de informação ou que leva conhecimento de causa para uma sociedade mais igualitária e menos preconceituosa, mas o movimento nos levou a sermos e abraçarmos esse viés", disse Gustavo em relação à representatividade do time.

O futebol, paixão nacional, e também outras modalidades esportivas até hoje trazem grandes traços de homofobia e preconceito. Driblar o desconforto que prejudica tantas carreiras, se torna mais uma missão e um desafio para o movimento: realçar o amor pelo esporte com as diversas cores da inclusão.

Bharbixas Esporte Clube
Foto: Divulgação
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