Envelhecer é um processo inevitável, mas a forma como lidamos com ele costuma ser influenciada por expectativas que carregamos ao longo da vida. Em uma conversa franca com Angélica e Eliana no programa Angélica: 50 & Tanto, do Globoplay, Xuxa Meneghel falou sobre as cobranças que faz a si mesma e mostrou que, muitas vezes, o julgamento mais duro não vem de fora.
Ao comentar as críticas relacionadas à idade, a apresentadora foi direta: "Pra mim, ninguém precisa dizer: 'Você tá velha'. Eu sei a idade que eu tenho, eu sei o quanto eu estou velha, eu sei me olhar no espelho, eu sei as rugas que eu tenho, eu sei os defeitos que eu tenho".
A resposta de Eliana reforça um sentimento compartilhado por muitas mulheres: "A gente sabe muito mais do que qualquer um". Afinal, quem convive diariamente com o próprio corpo percebe primeiro as mudanças que o tempo traz. O problema não costuma ser enxergá-las, mas a pressão para interpretá-las como algo negativo.
Quando a cobrança vem de dentro
Na sequência, Angélica acrescenta uma reflexão importante: "Mas sabe, o lance é a gente conviver em paz com isso. Eu sei que é difícil às vezes, né?". A fala lembra que aceitar o envelhecimento não significa deixar de sentir inseguranças. É um exercício contínuo de acolhimento, especialmente em uma sociedade que ainda associa juventude a valor e sucesso.
Para Xuxa, essa cobrança ganhou uma dimensão ainda maior por causa da profissão. Ela reconhece que passou grande parte da vida tendo a própria imagem como parte do trabalho e acredita que isso influenciou a maneira como se enxerga hoje.
"Se eu não tivesse trabalhado com uma imagem tão cedo na minha vida, talvez eu não me cobrasse tanto. Eu me olhar no espelho e não gostar do que estou vendo, não estou nem aí pro que as pessoas estão falando. Estou falando eu. Se eu não tivesse o Ju [Junno Andrade, seu marido] na minha vida, que gosta de mim do jeito que eu sou, eu acho que eu estaria muito mais, assim, paranoica."
A declaração chama atenção porque desloca o foco das críticas externas para um aspecto muitas vezes mais difícil de enfrentar: a autocrítica. Nem sempre o sofrimento nasce dos comentários alheios. Em muitos casos, ele surge da imagem que construímos de nós mesmos e da dificuldade em aceitar que o corpo muda com o passar dos anos.
Envelhecer em paz também é um aprendizado
Outro ponto marcante é quando Xuxa menciona o apoio do companheiro, Junno Andrade. Ao dizer que ele gosta dela "do jeito que eu sou", ela evidencia como relações baseadas em acolhimento podem ajudar a suavizar cobranças internas. Embora a autoestima não deva depender da validação de outra pessoa, sentir-se aceito pode contribuir para um olhar mais gentil sobre si mesmo.
A conversa entre Xuxa, Angélica e Eliana também deixa uma mensagem importante: envelhecer não é o desafio, mas sim aprender a conviver com essa transformação sem transformar cada ruga em motivo de culpa. Em vez de buscar uma aparência impossível de preservar para sempre, talvez o maior exercício seja desenvolver uma relação mais compassiva com a própria imagem, reconhecendo que o tempo modifica o corpo, mas não diminui a história, os afetos ou o valor de quem somos.