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Suspensão da vacina contra dengue é medida de precaução e não comprova risco do imunizante, avaliam especialistas

Médicos dizem que medida segue protocolos de segurança, não comprova relação com mortes investigadas e exige reforço das ações de prevenção

8 jun 2026 - 17h31
Vacina do Butantan contra a dengue
Vacina do Butantan contra a dengue
Foto: Divulgação/Butantan

A decisão do Ministério da Saúde de interromper temporariamente a vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan foi recebida por especialistas como uma medida técnica de precaução diante de um sinal de segurança que ainda está sob investigação.

Para a coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra. Claudia F. Cavalcante Valente, a suspensão ocorreu após um alerta emitido pelo sistema de farmacovigilância do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

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“A principal razão foi o sinal de segurança emitido pela Farmacovigilância do Programa Nacional de Imunizações, que acompanha todos os Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (ESAVI) no país. O alerta indicava que o número de eventos relacionados à vacina contra a dengue do Instituto Butantan era maior do que o esperado”, afirmou.

A avaliação é compartilhada pela presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Dra. Susana Aidé. Segundo ela, a interrupção temporária segue protocolos internacionais de monitoramento da segurança de vacinas.

“Do ponto de vista técnico, a decisão é compatível com o princípio da precaução em farmacovigilância. Diante de eventos graves, raros e inesperados, a conduta adequada é pausar temporariamente a aplicação para investigar causalidade, perfil clínico dos casos, relação temporal, possíveis fatores individuais, lote, cadeia de armazenamento e outros elementos epidemiológicos”, explicou.

A especialista ressalta que a medida não deve ser interpretada como uma comprovação de que a vacina causou os eventos registrados.

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“Isso não significa, automaticamente, que a vacina seja insegura ou que os eventos tenham sido causados por ela”, destacou.

Segundo o Ministério da Saúde, a suspensão ocorreu após a identificação de dois óbitos suspeitos e outros eventos adversos graves registrados após a aplicação da vacina do Butantan. Até o momento, não há confirmação de relação causal entre os casos e o imunizante, e as investigações seguem em andamento.

Impacto tende a ser limitado no cenário atual

Embora a interrupção adie a ampliação da cobertura vacinal prevista pelo governo federal, especialistas avaliam que o impacto imediato pode ser menor do que em anos anteriores devido à redução da circulação da doença no país.

“Neste ano de 2026, a incidência de dengue no Brasil está menor. Até o momento, são 171,1 casos por 100 mil habitantes. Em 2025, esse índice era de 3.193 casos por 100 mil habitantes”, observou Claudia Valente.

Ainda assim, Susana Aidé alerta que uma suspensão prolongada pode afetar a proteção da população em áreas com maior transmissão do vírus.

“O principal impacto é o retardo na ampliação da proteção populacional, especialmente para a faixa etária prevista para a vacina do Butantan no SUS. Em regiões de alta incidência, a suspensão pode manter parte da população suscetível por mais tempo, com possível impacto em casos sintomáticos, atendimentos e internações”, afirmou.

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Ela acrescenta que um dos principais desafios será evitar o aumento da hesitação vacinal.

“Uma suspensão mal explicada pode gerar medo, hesitação vacinal e perda de confiança no PNI (Programa Nacional de Imunização). Por isso, a mensagem pública precisa deixar claro que se trata de uma interrupção temporária para investigação, e não de uma conclusão definitiva de causalidade.”

Orientações para quem já foi vacinado

As especialistas destacam que pessoas que já receberam a vacina do Butantan não precisam se preocupar com um esquema vacinal incompleto, uma vez que o imunizante foi desenvolvido para aplicação em dose única.

“A vacina contra a dengue do Butantan é de dose única”, lembrou Claudia Valente.

De acordo com Susana Aidé, quem recebeu a vacina recentemente deve apenas permanecer atento a eventuais sintomas e procurar atendimento médico caso apresente sinais de alerta.

“Pessoas vacinadas recentemente devem ser orientadas a observar sintomas nos dias seguintes, especialmente nos primeiros 21 dias, e procurar atendimento se apresentarem febre persistente, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência importante, piora do estado geral ou sinais de desidratação”, orientou.

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Para aqueles que aguardavam a imunização, a recomendação é esperar novas definições das autoridades sanitárias. Já os adolescentes que fazem parte da estratégia vacinal com o imunizante da farmacêutica Takeda devem seguir normalmente o esquema previsto.

“A vacinação dos adolescentes segue com a vacina contra a dengue do laboratório Takeda, que não teve nenhum sinal de alerta evidenciado”, ressaltou Claudia Valente.

Controle do mosquito segue sendo principal estratégia

Enquanto a investigação prossegue, os especialistas reforçam que as medidas de combate ao Aedes aegypti continuam sendo fundamentais para reduzir a transmissão da doença.

“Eliminação de criadouros, manejo integrado de vetores, uso de repelentes, telas e proteção individual, vigilância ativa de casos, diagnóstico oportuno e hidratação precoce devem ser reforçados”, afirmou Susana Aidé.

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Para ela, a suspensão temporária deve ser encarada como parte do processo de monitoramento contínuo da segurança das vacinas.

“Em síntese, a suspensão é uma medida técnica de precaução diante de um sinal de segurança grave ainda não esclarecido. Ela protege a credibilidade do programa, permite investigação adequada e não deve ser interpretada como comprovação de dano pela vacina”, concluiu.

Fonte: Portal Terra
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