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Sua gengiva pode revelar problemas de saúde; veja os sinais

Sangramento, inchaço e retração podem ir além da saúde bucal; estudo reforça relação entre problemas nas gengivas e diabetes tipo 2

10 ago 2026 - 20h13

Sangrar durante a escovação pode parecer algo corriqueiro, principalmente quando acontece de vez em quando. Mas, quando o problema se torna frequente ou aparece acompanhado de inchaço, vermelhidão e retração da gengiva, é importante prestar atenção. Além de indicar alterações na própria boca, esses sinais podem estar relacionados à saúde de outras partes do organismo.

Alterações nas gengivas podem indicar problemas que vão além da boca; conheça sinais de alerta e a relação com o diabetes
Alterações nas gengivas podem indicar problemas que vão além da boca; conheça sinais de alerta e a relação com o diabetes
Foto: Reprodução: Canva/pixelshot / Bons Fluidos

Uma revisão sistemática republicada em agosto na revista científica The Lancet Public Health reforçou, por exemplo, a relação entre doenças periodontais e diabetes tipo 2. A análise reuniu informações de mais de 300 mil pessoas de 16 países e faz parte de um trabalho internacional desenvolvido em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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Os resultados indicam uma relação que funciona nos dois sentidos: problemas periodontais podem estar associados a uma maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2, enquanto pessoas que já convivem com a doença também apresentam maior risco de sofrer com periodontite e perda dos dentes.

"Nossa pesquisa destaca que não podemos mais considerar a saúde bucal e o diabetes como duas áreas de doenças separadas. Elas estão interligadas tanto biologicamente quanto por meio de fatores de risco compartilhados", afirmou o epidemiologista brasileiro Fernando Valentim Bitencourt, pesquisador da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e coautor do trabalho.

O que a gengiva pode revelar sobre a saúde?

Uma das principais condições avaliadas pelos pesquisadores foi a periodontite. Trata-se de uma inflamação crônica que afeta não apenas a gengiva, mas também estruturas responsáveis pela sustentação dos dentes.

Quando progride sem o tratamento adequado, a doença pode comprometer os tecidos e o osso ao redor dos dentes, provocando mobilidade e, nos quadros mais avançados, até perda dentária.

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Por isso, observar mudanças na boca pode ajudar a identificar que alguma coisa precisa de atenção. Sangramento durante a escovação ou ao passar fio dental, por exemplo, costuma estar relacionado à inflamação gengival e pode aparecer nos estágios iniciais da gengivite.

Gengivas muito vermelhas, inchadas ou que começam a recuar também merecem avaliação. Outro sinal importante é o mau hálito que permanece mesmo após a higiene bucal, já que ele pode estar relacionado ao acúmulo de bactérias.

Dentes que começam a ficar soltos representam um alerta ainda maior, pois podem indicar que os tecidos responsáveis pela sustentação já estão comprometidos. O surgimento de abscessos, caracterizados pelo acúmulo de pus, também exige atenção por estar relacionado a processos infecciosos.

Qual é a relação entre periodontite e diabetes?

A revisão encontrou evidências de que pessoas com periodontite apresentam risco até 25% maior de desenvolver diabetes tipo 2. Entre aquelas que perderam todos os dentes, o aumento observado chegou a aproximadamente 30%.

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Uma das possíveis explicações envolve a inflamação. Quando existe um processo inflamatório persistente na boca, seus efeitos podem não permanecer restritos à região. Bactérias e mediadores inflamatórios podem alcançar a circulação sanguínea e contribuir para alterações em outras partes do corpo.

Por outro lado, o diabetes também pode interferir na saúde bucal. Quando a glicemia não está adequadamente controlada, o organismo pode ter maior dificuldade para combater infecções e se recuperar delas, favorecendo problemas nas gengivas. Essa relação reforça por que cuidar da boca não deve ser encarado como uma questão apenas estética ou restrita aos dentes.

Como manter as gengivas saudáveis?

A prevenção começa com atitudes simples realizadas todos os dias. Escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia, utilizando uma escova de cerdas macias, e passar fio dental diariamente ajudam a controlar a placa bacteriana e reduzir o risco de inflamações.

As consultas periódicas ao dentista também são importantes, tanto para realizar limpezas profissionais quanto para identificar alterações ainda no início. Uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes, como vitamina C, também participa da manutenção dos tecidos da boca. Outro cuidado importante é evitar o tabaco, que está relacionado a diferentes problemas bucais e pode dificultar a percepção de alguns sinais de doenças gengivais.

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Quando o sangramento deixa de ser normal?

Uma gengiva saudável não deve sangrar constantemente. Por isso, quando o problema se repete durante a escovação ou o uso do fio dental, não é indicado simplesmente deixar de higienizar a região.

O mesmo vale para alterações persistentes na cor ou na aparência da gengiva, dor, inchaço, retração, mau hálito que não desaparece, dentes amolecidos ou presença de pus. Nesses casos, procurar um dentista permite investigar a causa e começar o tratamento antes que o quadro avance.

A boca faz parte do organismo e também pode oferecer pistas importantes sobre o que acontece além dela. Observar esses pequenos sinais e manter os cuidados preventivos pode ajudar não apenas a preservar dentes e gengiva, mas também a proteger a saúde de maneira mais ampla.

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