Andar de bicicleta pode ser até quatro vezes mais eficiente energeticamente do que caminhar e oito vezes mais do que correr, segundo o biomecânico Anthony Blazevich. A vantagem decorre do movimento circular compacto das pernas, da transferência direta de força pelas marchas e da ausência do impacto contra o solo. Contudo, em subidas íngremes com inclinação superior a 15%, a caminhada volta a ser mais vantajosa, enquanto o ciclismo se sobressai com folga em descidas e trajetos planos.
Caminhar costuma ser uma das primeiras opções quando pensamos em um exercício simples e acessível. No entanto, outra atividade bastante comum pode ser ainda mais eficiente quando o objetivo é percorrer uma distância utilizando menos energia: andar de bicicleta.
Segundo Anthony Blazevich, professor de Biomecânica da Universidade Edith Cowan, pedalar pode ser pelo menos quatro vezes mais eficiente em termos energéticos do que caminhar e até oito vezes mais do que correr. Em artigo publicado no 'The Conversation', ele explicou que essa vantagem está ligada à maneira como o corpo trabalha em conjunto com a bicicleta.
Por que este exercício pode ser mais eficiente?
Ao andar ou correr, o corpo precisa repetir uma sequência que consome energia a cada passada. As pernas percorrem movimentos amplos, os pés atingem o solo e parte do esforço também é usada para absorver esse impacto antes do próximo impulso.
Há ainda pequenas desacelerações durante o movimento. Quando o pé toca o chão à frente do corpo, uma parte da força atua no sentido contrário ao deslocamento. Em seguida, os músculos precisam trabalhar novamente para recuperar a velocidade.
"Na bicicleta, suas pernas se movem em um movimento circular muito menor. Em vez de balançar todo o peso das pernas a cada passo, você simplesmente gira as coxas e as panturrilhas em um ciclo de pedalada compacto. A economia de energia é imediatamente perceptível. Mas os ganhos reais de eficiência vêm da forma como as bicicletas transferem a energia humana para o movimento para a frente", afirmou.
Marchas ajudam a controlar o esforço
De acordo com o especialista, a bicicleta também consegue adaptar a carga imposta aos músculos por meio das marchas. Quando os músculos precisam se contrair rápido demais, eles tendem a produzir menos força e consumir mais energia.
É uma das razões pelas quais correr em alta velocidade exige muito mais do organismo do que manter um ritmo moderado. Ao trocar de marcha, o ciclista pode ajustar a resistência e preservar uma cadência mais confortável mesmo quando aumenta a velocidade. Assim, o corpo não precisa elevar o esforço na mesma proporção do deslocamento.
Caminhar ainda pode ser melhor em algumas situações
A vantagem da bicicleta, contudo, não aparece em qualquer terreno. Em subidas muito inclinadas, acima de aproximadamente 15%, pode se tornar difícil produzir força suficiente apenas com o movimento circular dos pedais. Nesses casos, caminhar pode ser mais eficiente para vencer o aclive.
Nas descidas, a situação se inverte. A bicicleta aproveita melhor a gravidade e pode continuar avançando quase sem esforço. Já quem desce a pé precisa controlar o corpo a cada passada, principalmente quando a inclinação é acentuada.