A água inglesa é um composto fitoterápico muito antigo e popular no Brasil.
Frequentemente passada de geração em geração, ela é conhecida principalmente por suas propriedades digestivas e tonificantes.
Apesar de ser um produto de venda livre, a água inglesa não é apenas uma "água comum". Ela é um extrato de plantas medicinais, sendo a Quina (Cinchona calisaya) seu principal ingrediente.
Por conter substâncias ativas, seu uso deve ser consciente para evitar efeitos colaterais indesejados.
A composição da água inglesa
O segredo da água inglesa está no sabor amargo. Além da Quina, muitas fórmulas comerciais incluem outras ervas como carqueja, camomila, calumba e erva-doce.
Essas plantas possuem princípios ativos que estimulam as funções básicas do sistema digestivo.
O sabor amargo dessas ervas serve para "avisar" o corpo que a digestão precisa começar.
Quando as papilas gustativas sentem o amargor, o cérebro envia sinais para aumentar a produção de saliva e suco gástrico.
Isso prepara o estômago para receber e processar os alimentos de forma mais eficiente.
Os principais benefícios e efeitos no organismo
1. Estímulo ao apetite e digestão
A água inglesa é muito utilizada por pessoas que sofrem com falta de apetite ou má digestão.
Ao estimular as glândulas digestivas, ela ajuda a reduzir aquela sensação de estufamento e peso após as refeições. Ela funciona como um tônico para o estômago.
2. Auxílio no pós-parto
Este é o uso mais famoso da água inglesa. Muitas mulheres utilizam o composto após o parto com o objetivo de ajudar na limpeza do útero.
Acredita-se que as substâncias amargas ajudem na eliminação de coágulos e resíduos pós-parto. Atenção: Embora seja uma tradição, esse uso deve ter acompanhamento médico.
3. Efeito desintoxicante
Por conter ervas como a carqueja, a água inglesa auxilia nas funções do fígado.
Isso ajuda o organismo a eliminar toxinas de forma mais rápida, sendo muitas vezes procurada após períodos de excessos alimentares.
Existem contraindicações?
Nem todo mundo pode consumir a água inglesa. Por ser um estimulante gástrico, ela é contraindicada para pessoas com:
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Gastrite ou úlceras: O aumento do ácido gástrico pode piorar a dor e a inflamação.
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Gravidez: Algumas ervas da composição podem estimular contrações uterinas.
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Amamentação: As substâncias amargas podem passar para o leite e alterar o sabor ou afetar o bebê.
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Epilepsia: Algumas formulações podem conter álcool ou componentes que interferem em distúrbios neurológicos.
Como tomar de forma segura?
Geralmente, a recomendação é ingerir um pequeno cálice (cerca de 30 ml) antes das principais refeições.
No entanto, o tempo de uso não deve ser prolongado. O uso contínuo pode causar irritação gástrica ou desequilíbrios no paladar.
O ideal é não ultrapassar 14 dias de uso sem uma pausa. Lembre-se que fitoterápicos são medicamentos e podem interagir com outros remédios que você já toma.
Sempre consulte um médico ou farmacêutico antes de iniciar o uso.