A cabeleireira britânica Claire Gerring, de 40 anos, descobriu um pseudomixoma peritoneal (PMP) em estágio 4 após confundir o inchaço abdominal e sangramentos com endometriose. O câncer raro, originado no apêndice, rompeu e espalhou mucina pela cavidade abdominal. Para tratar a doença, Claire enfrentou uma cirurgia de dez horas que combinou quimioterapia aquecida (HIPEC) e a remoção de nove órgãos. Atualmente sem sinais do tumor, ela lida com sequelas e fará acompanhamento por duas décadas.
A barriga começou a crescer aos poucos. Aos 40 anos, Claire Gerring achou que aquilo fosse apenas o corpo mudando com a idade.
Moradora de Wantage, em Oxfordshire, na Inglaterra, ela trabalhava como cabeleireira e cuidava da casa e dos dois filhos. Também enfrentava menstruações intensas e episódios de sangramento pelo reto.
Como estava sendo investigada por uma possível endometriose, Claire acreditava que os sintomas tinham relação com algum problema ginecológico.
Enquanto isso, a barriga aumentava. Ela já parecia estar de quatro ou cinco meses de gravidez e havia subido um tamanho de roupa.
Em março de 2025, uma dor persistente no lado direito do abdômen mudou o rumo da investigação.
Claire fez um teste FIT, que pode detectar sangue nas fezes. O resultado deu positivo. Depois vieram uma colonoscopia e uma tomografia.
Os exames encontraram tecido canceroso no apêndice.
Claire ainda esperava fazer uma laparoscopia para investigar a endometriose. Na véspera do procedimento, ligou para saber se os resultados da tomografia haviam chegado.
A resposta mudou tudo.
O que havia por trás da "barriga de gravidez"
O tumor no apêndice havia se rompido e liberado mucina, uma substância espessa e gelatinosa, dentro do abdômen.
O diagnóstico era de pseudomixoma peritoneal (PMP), um câncer raro que geralmente começa no apêndice.
O caso foi relatado pelo The Sun, que ouviu Claire sobre a doença, a cirurgia e a recuperação.
Quando células do tumor se espalham pela cavidade abdominal, elas podem continuar produzindo mucina. A substância se acumula e pode envolver as estruturas internas, fazendo o abdômen aumentar progressivamente.
É daí que vem a expressão "jelly belly", ou "barriga de gelatina". O termo descreve esse acúmulo de mucina e não é o nome da doença.
No começo, o PMP pode não provocar sintomas claros. Quando eles aparecem, podem incluir aumento da cintura, dor abdominal ou pélvica, alterações intestinais, hérnia, perda de apetite e ganho de peso sem explicação.
São sinais facilmente confundidos com problemas muito mais comuns.
No caso de Claire, a investigação inicialmente apontava para a endometriose. A dor persistente e o resultado do teste de fezes, porém, levaram a exames que encontraram o tumor no apêndice.
Em maio de 2025, uma cirurgia revelou que o tumor havia se rompido e que havia doença em outras áreas do abdômen. Claire recebeu o diagnóstico de PMP em estágio 4.
Uma cirurgia de dez horas
Claire foi encaminhada para tratamento especializado e ainda esperou cerca de dois meses pela operação.
Em 15 de julho de 2025, passou por uma cirurgia de aproximadamente dez horas.
O procedimento combinou cirurgia citorredutora e HIPEC. Primeiro, os médicos retiraram a maior quantidade possível de doença visível.
Depois, aplicaram quimioterapia aquecida diretamente na cavidade abdominal. A técnica, conhecida como HIPEC, busca atingir células tumorais que possam ter permanecido após a retirada da doença visível.
A extensão da cirurgia foi enorme. Nove órgãos foram removidos, entre eles o apêndice, ovários, trompas de Falópio, vesícula biliar, baço, útero e colo do útero.
A descrição também inclui a retirada de estruturas e tecidos, como o omento, o umbigo e o revestimento do peritônio, além de parte do intestino.
Claire contou ainda que parte do fígado foi retirada e que houve intervenções no diafragma e na bexiga.
Foram quatro semanas e meia no hospital.
Depois do câncer, um novo corpo
A alta não significou o fim da recuperação.
Claire conta que ficou com problemas no intestino e dores na região da bexiga. Segundo ela, o funcionamento intestinal ainda é bastante comprometido.
Hoje, afirma estar sem evidência de doença, mas continuará sendo acompanhada pelos próximos 20 anos.
O PMP é raro, e aumento de peso ou da cintura costuma ter explicações muito mais comuns. O problema não é perceber uma mudança no corpo, mas quando ela persiste sem uma causa clara ou aparece acompanhada de dor e alterações intestinais.
Nessas situações, procurar avaliação médica pode ajudar a entender o que está acontecendo, em vez de simplesmente atribuir a mudança à idade.
Depois de tudo o que viveu, Claire resume a própria recuperação de uma maneira simples. "Você nunca volta a ser quem era. Apenas se acostuma com o novo você."
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