A tuberculose voltou a ser uma das maiores preocupações da saúde pública brasileira.
Durante a Semana Nacional de Mobilização e Luta Contra a Tuberculose (24 a 31/03), especialistas alertam para números alarmantes: o Brasil registra uma média de 10 novos diagnósticos por hora.
Dados do último Boletim Epidemiológico revelam que, em 2024, foram registrados 85.936 novos casos e cerca de 6 mil mortes.
Atualmente, a tuberculose é a principal causa de óbito por um único agente infeccioso no mundo, superando os índices de Covid-19 e AIDS. Em 15 anos, a mortalidade pela doença no Brasil saltou 32,6%.
O perigo do diagnóstico silencioso
Um dos maiores desafios no combate à enfermidade é a sua face "invisível". Um estudo recente publicado na plataforma ScienceDirect revelou que a maioria dos casos pode evoluir sem sinais claros.
A pesquisa acompanhou quase mil pessoas que tiveram contato domiciliar com doentes. O resultado foi impressionante: 82,4% dos diagnosticados eram assintomáticos no momento do exame.
Isso significa que a pessoa carrega e transmite a bactéria sem apresentar a clássica tosse persistente.
De acordo com a Dra. Maria Cecília Maiorano, coordenadora de Pneumologia da Afya Educação Médica, a postura ativa é fundamental.
"Não podemos depender exclusivamente de sintomas clássicos. Quem foi exposto a casos confirmados deve procurar avaliação médica, mesmo que se sinta bem", orienta a médica.
Quando acender o sinal de alerta?
Embora possa ser silenciosa no início, a tuberculose costuma apresentar sinais quando a doença avança. Fique atento aos seguintes sintomas:
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Tosse persistente: por três semanas ou mais;
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Febre: geralmente ao final da tarde;
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Sudorese noturna: suor excessivo durante o sono;
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Cansaço extremo: fadiga sem causa aparente;
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Perda de peso: emagrecimento rápido e não planejado.
Vale lembrar que, embora afete principalmente os pulmões, a tuberculose pode atingir gânglios, ossos, rins e até o sistema nervoso central (forma extrapulmonar).
Tratamento: Cura gratuita pelo SUS
A boa notícia é que a tuberculose tem cura e o tratamento é 100% gratuito pelo sistema público de saúde. O processo dura no mínimo seis meses e utiliza uma combinação de antibióticos específicos.
A Dra. Maria Cecília reforça que a adesão total é o único caminho para o sucesso.
"Interromper o uso dos remédios antes do prazo aumenta o risco de recaídas e cria bactérias super-resistentes, que são muito mais difíceis de tratar", destaca.
Seguir o tratamento até o fim não é apenas uma medida de recuperação individual, mas um ato de proteção coletiva para interromper a cadeia de transmissão na população.