Pesquisadores conseguiram restaurar oscilações gama no cérebro de camundongos com características do Alzheimer, segundo estudo na revista Neuron. Essa atividade elétrica, crucial para a formação de memórias e o processamento de informações, foi reorganizada ao aprimorar o funcionamento sequencial de células reguladoras de neurônios. A descoberta ajuda a compreender as falhas de comunicação cerebral na doença e abre caminho para novas terapias capazes de preservar a cognição em humanos.
Esquecer informações recentes, perder o fio de uma conversa e ter dificuldade para aprender coisas novas estão entre as alterações que podem surgir com a doença de Alzheimer. Por trás desses sinais, existem mudanças no funcionamento das células cerebrais que ajudam a processar informações e formar memórias.
Uma nova pesquisa publicada na revista científica Neuron identificou uma maneira de recuperar parte dessa atividade em camundongos com alterações cerebrais semelhantes às observadas no Alzheimer.
A descoberta abre uma nova possibilidade de investigação e levanta a expectativa de que, no futuro, uma abordagem semelhante possa beneficiar pessoas com Alzheimer.
O que acontece no cérebro com Alzheimer
Para aprender e guardar informações, os neurônios precisam trocar sinais elétricos de maneira coordenada. Esses sinais seguem diferentes ritmos, e um deles é conhecido como oscilação gama, relacionado à formação de memórias e ao processamento de informações.
Nesse processo, algumas células cerebrais, chamadas interneurônios de parvalbumina, ajudam a controlar o momento em que outros neurônios são ativados. Quando esse mecanismo falha, a atividade elétrica do cérebro pode ficar desorganizada.
Alterações nas oscilações gama já foram observadas em pessoas com Alzheimer e também podem aparecer nas fases iniciais do comprometimento cognitivo. Por isso, os pesquisadores investigam se recuperar esse padrão de atividade pode ajudar a preservar funções cerebrais.
Como os pesquisadores conseguiram recuperar essa atividade
A equipe estudou camundongos com acúmulo de placas da proteína beta-amiloide no cérebro, uma característica também encontrada em pessoas com Alzheimer.
Os pesquisadores usaram uma estratégia para melhorar o funcionamento das células que ajudam a controlar a atividade dos neurônios.
Depois da intervenção, as oscilações gama melhoraram, indicando que os sinais elétricos estavam mais organizados.
A equipe também descobriu que essas células não precisam entrar em ação todas ao mesmo tempo. Elas seguem uma sequência específica, e a ordem em que são ativadas ajuda a iniciar e manter esses ritmos cerebrais.
A descoberta pode ajudar no tratamento do Alzheimer?
O resultado abre uma possibilidade de pesquisa: desenvolver tratamentos que ajudem a recuperar parte do funcionamento dos circuitos cerebrais afetados pelo Alzheimer.
Nos camundongos, os pesquisadores conseguiram melhorar as oscilações gama, padrões de atividade elétrica relacionados à formação de memórias e ao processamento de informações. O próximo passo é investigar se uma abordagem semelhante poderia trazer benefícios para pessoas com a doença.
Para isso, ainda será necessário avaliar a segurança e a eficácia da estratégia em seres humanos. Também será preciso descobrir se a melhora na atividade cerebral pode se traduzir em benefícios para a memória ou em mudanças na progressão do Alzheimer.
O estudo amplia a compreensão de como alterações na comunicação entre neurônios estão relacionadas à doença e oferece um novo caminho para investigar possíveis tratamentos.