Um novo estudo publicado na Scientific Reports associou a maior exposição à luz solar a níveis mais baixos de glicose no sangue e a uma redução de até 22% no risco de diabetes tipo 2. Embora a radiação UVA possa influenciar o metabolismo, os pesquisadores alertam que os dados mostram apenas uma correlação, não uma causa direta. Portanto, o achado serve como pista para novas pesquisas e não substitui os cuidados contra o excesso de sol e o risco de câncer de pele.
Passar alguns dias sem pegar sol parece ter pouco a ver com a glicose no sangue. Afinal, quando se fala em exposição solar e saúde, quase sempre a primeira lembrança é a vitamina D.
Mas uma nova pesquisa encontrou uma relação diferente. Quanto maior a exposição à luz solar em determinados períodos, menores tendiam a ser os níveis de glicose no sangue.
O achado fica ainda mais curioso quando os pesquisadores analisaram o diabetes tipo 2 e encontraram uma associação semelhante.
A questão agora é entender o que está por trás dessa relação e se ela realmente significa que a luz do sol pode influenciar o metabolismo.
O que a luz do sol tem a ver com a glicose?
A glicose é o açúcar que circula no sangue e fornece energia para o corpo. Depois de comer, ela aumenta naturalmente, e a insulina ajuda a levar esse açúcar para dentro das células.
No diabetes tipo 2, esse processo não funciona bem. Com isso, a glicose pode permanecer alta no sangue por muito tempo.
Foi justamente aí que apareceu a surpresa do estudo.
Ao analisar dados de pessoas do Reino Unido, os pesquisadores perceberam que aquelas mais expostas à radiação UVA, presente na luz solar, tendiam a ter níveis um pouco menores de glicose no sangue.
O efeito foi pequeno, mas levantou a possibilidade de que a luz do sol pode ter alguma influência sobre a forma como o corpo controla o açúcar no sangue.
E o diabetes tipo 2?
O resultado também apareceu quando os pesquisadores analisaram o diabetes tipo 2.
Pessoas com maior exposição à radiação ultravioleta apresentaram menor probabilidade de desenvolver a doença, com uma diferença de até 22%.
O dado é interessante, mas não prova que a luz do sol tenha evitado o diabetes. Outros hábitos e características dos participantes também podem ter influenciado o resultado.
Então vale a pena tomar mais sol?
Ainda não há uma resposta segura para essa pergunta.
O estudo não permite saber qual seria uma quantidade de exposição capaz de produzir algum benefício. Também não é possível dizer se aumentar o tempo ao sol diminuiria a glicose ou o risco de diabetes.
Por isso, o resultado deve ser visto como uma pista para novas pesquisas, e não como uma recomendação para mudar os hábitos de exposição ao sol.
O risco da radiação continua existindo
Enquanto os possíveis efeitos da luz sobre o metabolismo ainda são investigados, os riscos da radiação ultravioleta já são conhecidos. A exposição excessiva aumenta o risco de câncer de pele.
Por isso, a descoberta não muda a importância de se proteger do excesso de sol.
O estudo foi feito com participantes do Reino Unido, e a relação entre luz solar e glicose apareceu com mais força nos meses de inverno de lá, quando a exposição à radiação ultravioleta é menor.
Ainda não se sabe se o mesmo efeito ocorreria da mesma forma no Brasil ou qual seria uma quantidade segura de exposição.
O estudo foi publicado na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature.
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