Sonambulismo: ela não lembrava de ter usado o celular. As 77 fotos contavam outra história

Sonambulismo pode levar a comportamentos inesperados? O caso de uma mulher que deixou registros durante o sono intriga pesquisadores.

8 out 2026 - 17h00
(atualizado às 17h02)
Resumo
Um estudo na República Tcheca relatou o caso de uma sonâmbula de 50 anos que tirou 77 fotos com o celular durante crises noturnas, sem se lembrar. As imagens mostravam objetos e luzes que coincidiam com seus sonhos, como o teto prestes a desabar. Segundo neurologistas, o uso do smartphone revela que comportamentos complexos e automatizados da rotina podem se manifestar no sonambulismo, sugerindo que o paciente interage de forma distorcida com o ambiente em despertares incompletos do sono.

Uma mulher de 50 anos contou a especialistas em sono, em Praga (República Tcheca), que às vezes tirava fotos enquanto dormia. O mais estranho é que ela tinha como mostrar as imagens.

Sonambulismo / Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial
Sonambulismo / Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

Eram 77 fotografias feitas pelo celular entre agosto de 2018 e fevereiro de 2026.

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Vinte e sete estavam completamente escuras. Nas outras apareciam uma tomada iluminada, a luz de um aquário, a sombra de uma planta, carrinhos de brinquedo atrás do vidro de um armário e até uma imagem borrada do teto.

Em algumas, aparecia a própria mão da mulher, apontando para alguma coisa.

O caso foi descrito por neurologistas da Charles University e do General University Hospital in Prague e publicado em agosto de 2026 na revista Nature and Science of Sleep.

O celular registrava o que acontecia durante a noite

A mulher tinha histórico de sonambulismo desde a infância. Aos 29 anos, porém, os episódios se tornaram muito mais frequentes, depois que ela passou a trabalhar em turnos alternados em um período de grande estresse profissional.

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Desde então, podiam acontecer cerca de duas vezes por semana ou quase todas as noites.

Durante alguns episódios, ela falava dormindo, caminhava pelo apartamento e tentava interagir com outras pessoas que estavam dormindo na casa. Em uma ocasião, saiu do apartamento e só recuperou a consciência dentro do elevador.

Ela não tinha interesse profissional ou recreativo por fotografia.

Os horários das imagens também chamaram a atenção. Muitas haviam sido feitas entre aproximadamente 2h e 3h30 da madrugada, algumas em sequências de poucos minutos. Havia também fotos registradas durante o sono diurno, depois de noites de trabalho.

Esse padrão era compatível com o período em que costumam ocorrer episódios de sonambulismo.

Algumas fotos pareciam combinar com os sonhos

A mulher conseguia lembrar de alguns sonhos ligados aos episódios de sonambulismo.

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Em um deles, por exemplo, tinha a impressão de que o teto poderia desabar. Uma das fotos feitas durante a noite mostrava justamente o teto, embora a imagem estivesse borrada e mal enquadrada.

Em outro episódio, ela sonhava que examinava o ambiente para verificar se estava tudo em ordem. A foto feita naquele momento mostrava uma manta dobrada em formato triangular.

Essas coincidências chamaram a atenção dos médicos. Muitas outras imagens também mostravam luzes, sombras ou contrastes fortes entre claro e escuro.

Uma possível explicação é que, durante o sonambulismo, a pessoa não esteja completamente acordada nem completamente desconectada do ambiente.

Assim, o que está ao redor pode ser percebido de forma distorcida e acabar fazendo parte do sonho. Uma sombra, uma luz ou um objeto podem ganhar um significado dentro da experiência que a pessoa está tendo naquele momento.

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Por que o celular entrou nessa história?

Tirar uma foto exige uma sequência de ações. É preciso pegar o aparelho, desbloqueá-lo, abrir a câmera, apontá-la e apertar o botão.

São também movimentos que muitas pessoas repetem diariamente sem pensar em cada etapa.

Para os autores, essa familiaridade pode ser importante. Eles levantam a hipótese de que sequências motoras muito automatizadas possam aparecer durante um despertar incompleto do sono.

O ponto talvez não seja a fotografia em si, mas o quanto determinadas ações com o celular se tornaram automáticas na vida cotidiana.

Os pesquisadores encontraram um relato anterior de uma pessoa que escreveu e-mails enquanto dormia após aumentar a dose do medicamento zolpidem. Mas aquele episódio estava relacionado ao remédio e não é equivalente ao caso de Praga.

O que aconteceu depois

A mulher recebeu orientações para melhorar o sono, reduzir fatores que poderiam favorecer os episódios, como a privação de sono e os horários irregulares, e tornar a casa mais segura.

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O caso mostra que o sonambulismo pode envolver comportamentos mais complexos do que simplesmente caminhar durante o sono. Neste caso, o celular acabou registrando parte do que acontecia durante os episódios.

Ainda não se sabe se interações com smartphones durante o sonambulismo são raras ou apenas pouco percebidas. Para quem tem episódios frequentes, sai da cama ou realiza atividades durante a noite sem se lembrar depois, vale buscar avaliação de um especialista em sono.

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Fonte: SaúdeLAB
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