Sombra, argila e filtro solar: como o homem aprendeu a se defender do sol

Da argila antiga ao filtro solar FPS moderno, descubra a evolução da proteção solar, riscos da radiação UV e dicas para cuidar da pele

17 mar 2026 - 13h30

A relação da humanidade com o sol sempre foi de dependência e cautela. A luz solar é essencial para a vida, mas o excesso de radiação pode causar danos significativos à pele e aos olhos. Ao longo dos séculos, diferentes civilizações criaram estratégias para se proteger, muito antes da existência do filtro solar moderno. Hoje, com o conhecimento acumulado pela ciência, a proteção solar diária passou a ser vista como um cuidado básico de saúde, e não apenas estético.

Mesmo assim, ainda existe muita dúvida sobre quanto tempo de exposição é seguro, qual fator de proteção escolher e se é necessário usar filtro solar em dias nublados ou quando se está na sombra. Entender a história dessa proteção ajuda a compreender por que os dermatologistas insistem tanto nesse hábito.

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Proteção solar na Antiguidade: como as civilizações se defendiam do sol?

Antes da química moderna, povos antigos recorreram principalmente a óleos, argilas e tecidos para criar uma barreira física contra o sol. Registros apontam que, no Egito Antigo, misturas de óleos vegetais, extratos de arroz e jasmim eram aplicadas na pele para reduzir queimaduras e ressecamento. Já em regiões desérticas, o uso de roupas longas, véus e turbantes funcionava como verdadeira "armadura" contra a radiação intensa.

Na Grécia e em Roma, substâncias como azeite de oliva, pigmentos minerais e até pós esbranquiçados eram usados como camada protetora. Em culturas asiáticas, especialmente na China e no Japão, sombrinhas, leques e tecidos leves de manga longa eram aliados constantes, refletindo um padrão cultural que valorizava a pele clara, mas que também oferecia proteção indireta contra os raios solares. Esses recursos, somados à busca por sombras naturais, já antecipavam o conceito atual de fotoproteção física.

Na Antiguidade, óleos, argilas e roupas protegiam do sol. Franz Greiter criou o filtro solar moderno e a escala FPS – depositphotos.com / ridofranz
Na Antiguidade, óleos, argilas e roupas protegiam do sol. Franz Greiter criou o filtro solar moderno e a escala FPS – depositphotos.com / ridofranz
Foto: Giro 10

Como surgiu o filtro solar moderno e a escala FPS?

A ideia de um filtro solar químico começou a ganhar forma no século XX, quando os danos da radiação passaram a ser mais bem compreendidos. Em 1938, o químico austríaco Franz Greiter destacou-se ao desenvolver um dos primeiros protótipos de protetor solar, após sofrer queimaduras intensas durante uma escalada nos Alpes. Anos depois, Greiter apresentou o conceito de Fator de Proteção Solar (FPS), medida que estima quanto tempo a pele leva para ficar vermelha com e sem o uso do produto.

Dermatologistas consultados para este artigo explicam que, de forma simplificada, o FPS indica o nível de proteção contra a radiação UVB, principal responsável pelas queimaduras solares. Um deles, o dermatologista fictício Dr. Marcelo Andrade, resume: "Um FPS 30, aplicado corretamente, permite uma exposição cerca de 30 vezes maior até o aparecimento da vermelhidão, em comparação com a pele desprotegida. Mas isso não significa liberdade total ao sol, porque outros fatores, como suor, água e quantidade aplicada, interferem nesse cálculo".

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Com o avanço da pesquisa, surgiram filtros que também protegem contra a radiação UVA, associada ao envelhecimento precoce e a alguns tipos de câncer de pele. A partir dos anos 1990 e 2000, começaram a aparecer produtos com fórmulas mais leves, resistentes à água e adequados a diferentes tipos de pele, incluindo versões específicas para peles sensíveis, oleosas ou com tendência a manchas.

Riscos da radiação UV: por que a proteção solar diária é indispensável?

A radiação ultravioleta é dividida em três faixas principais: UVA, UVB e UVC. A UVC é praticamente bloqueada pela camada de ozônio, mas a UVA e a UVB chegam à superfície terrestre em quantidades capazes de causar danos celulares. A exposição acumulada ao longo da vida está relacionada ao surgimento de câncer de pele, como carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma, além de alterações na córnea e no cristalino dos olhos.

A dermatologista fictícia Dra. Helena Sampaio destaca que a fotoproteção diária não deve ser restrita a dias de praia ou piscina. Segundo ela, "até 80% da radiação UVA pode atravessar nuvens e vidros, o que significa que atividades rotineiras, como dirigir, caminhar na rua ou trabalhar próximo a janelas, contribuem para o impacto cumulativo na pele". Essa radiação é um dos fatores que favorecem rugas, flacidez, manchas escuras e perda de elasticidade.

Por esse motivo, entidades médicas de diversos países recomendam o uso diário de filtro solar com FPS de pelo menos 30, reaplicado a cada duas ou três horas em caso de exposição contínua. Chapéus de aba larga, óculos com proteção UV e roupas com tecido de proteção ultravioleta complementam essa barreira, especialmente para crianças, idosos e pessoas com histórico de câncer de pele na família.

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Quais são as inovações atuais em protetores solares?

Nos últimos anos, a indústria de fotoproteção tem investido em fórmulas que unam proteção, estética e cuidados com a pele. Os protetores com cor ganharam espaço por criar um escudo extra contra a luz visível e a luz azul emitida por telas, além de ajudar a disfarçar manchas e uniformizar o tom. Há também versões com ingredientes antioxidantes, como vitamina C, niacinamida e resveratrol, que combatem radicais livres gerados pela radiação.

Outra inovação em proteção solar é a combinação de filtro com tratamentos dermatológicos. Já existem géis e cremes que, ao mesmo tempo em que protegem contra UVA e UVB, auxiliam no controle da oleosidade, da acne ou de doenças como melasma e rosácea. A textura também evoluiu: produtos em fluido, sérum, bastão, espuma e pó compacto facilitam a reaplicação ao longo do dia, inclusive em ambientes de trabalho.

Os especialistas ouvidos apontam ainda o crescimento de roupas com fator de proteção ultravioleta (FPU), especialmente voltadas a práticas esportivas ao ar livre e atividades aquáticas. Esses tecidos passam por processos que aumentam a capacidade de bloquear raios solares, funcionando como complemento importante do filtro aplicado na pele exposta.

Hoje, filtros UVA/UVB, antioxidantes e roupas FPU protegem. FPS 30+, reaplicação e barreiras físicas mantêm a pele saudável – depositphotos.com / brickrena
Foto: Giro 10

Como se proteger do sol mesmo em dias nublados ou na sombra?

Uma das dúvidas mais comuns é se a proteção solar é realmente necessária quando o céu está encoberto ou quando a pessoa permanece à sombra. A resposta dos dermatologistas é categórica: a fotoproteção deve ser mantida. Nuvens filtram parte da radiação UVB, mas deixam passar boa quantidade de UVA, que penetra profundamente na pele e atua de forma silenciosa. Já na sombra, a luz solar é refletida por superfícies como água, areia, concreto e fachadas claras, alcançando a pele de forma indireta.

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Para manter uma rotina de fotoproteção diária, especialistas sugerem alguns cuidados práticos:

  • Aplicar filtro solar com FPS 30 ou superior em todas as áreas expostas, inclusive orelhas, pescoço e dorso das mãos.
  • Reaplicar o produto a cada duas ou três horas em situações de exposição contínua ou após suor intenso e contato com água.
  • Preferir horários antes das 10h e após as 16h para atividades ao ar livre, reduzindo a incidência de radiação UVB.
  • Usar acessórios de barreira física, como chapéus de aba larga, bonés, óculos com proteção UV e roupas adequadas.
  • Buscar sombra sempre que possível, lembrando que ela complementa, mas não substitui o uso de filtro solar.

Para organizar esse cuidado no dia a dia, alguns dermatologistas sugerem um passo a passo simples de fotoproteção:

  1. Limpar a pele com produto adequado ao tipo de pele.
  2. Aplicar hidratante ou sérum de tratamento, se necessário.
  3. Passar o filtro solar generosamente, aguardando alguns minutos para absorção.
  4. Se desejado, completar com maquiagem ou protetor com cor.
  5. Programar a reaplicação ao longo do dia, especialmente em atividades externas.

Do uso de argilas e tecidos pesados na Antiguidade ao desenvolvimento da escala FPS por Franz Greiter e às fórmulas multifuncionais disponíveis atualmente, a história mostra uma busca contínua por maneiras mais eficazes de mediar o contato com o sol. A informação científica disponível em 2026 reforça que a proteção solar consistente, aliando filtros, barreiras físicas e hábitos conscientes, é uma das estratégias mais importantes para preservar a saúde da pele ao longo da vida.

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