Tem sempre alguém assim no trabalho. Mesmo com a agenda cheia, encontra alguns minutos para explicar uma tarefa, tirar uma dúvida ou ajudar um colega.
Também existe o contrário. Há pessoas que quase nunca conseguem parar porque dizem que estão sem tempo.
Será que isso depende apenas da boa vontade?
Um novo estudo sugere que não. O horário em que cada pessoa costuma ter mais disposição pode influenciar quando ela tende a ajudar os colegas.
Mas há outro detalhe importante. A forma como cada um enxerga o próprio tempo também pode fazer diferença.
Quem acorda cedo ajuda mais no trabalho?
Não. O estudo não mostrou que quem acorda cedo é mais prestativo do que quem rende melhor à tarde ou à noite.
O que os pesquisadores perceberam foi outra coisa. As pessoas costumam oferecer ajuda em horários diferentes.
Quem funciona melhor pela manhã tende a ajudar colegas, orientar alguém ou assumir uma tarefa extra nas primeiras horas do dia.
Já quem rende mais à tarde ou à noite costuma fazer isso nesses períodos.
Em outras palavras, não muda quem ajuda mais. O que muda é o horário em que essa ajuda tende a acontecer.
O que explica essa diferença?
Segundo os pesquisadores, não é apenas o relógio biológico que influencia esse comportamento.
Também conta a confiança que cada pessoa tem de conseguir adaptar a própria rotina quando surge um imprevisto.
Quem acredita que consegue reorganizar o dia (acordando um pouco mais cedo ou estendendo as atividades quando necessário) tende a enxergar mais espaço para ajudar.
Já quem sente que a agenda está no limite costuma adiar esse tipo de atitude.
Essa forma de pensar pode mudar?
Para testar essa ideia, os pesquisadores propuseram um exercício simples.
Os participantes precisaram lembrar de situações em que conseguiram adaptar a rotina para cumprir uma tarefa importante.
Depois disso, muitos relataram maior confiança na própria capacidade de reorganizar os horários quando fosse necessário.
Isso sugere que, embora o cronotipo não mude facilmente, a percepção de que é possível adaptar a rotina pode ser fortalecida.
O que isso significa na prática?
A pesquisa não recomenda dormir menos nem sacrificar o descanso para ajudar os outros.
A principal mensagem é que cada pessoa costuma encontrar mais espaço para colaborar em determinados momentos do dia.
Levar isso em conta pode ajudar equipes a distribuir melhor as tarefas e aproveitar as características de cada profissional.
Publicado na revista científica Organizational Behavior and Human Decision Processes, o estudo reforça que todos continuam tendo as mesmas 24 horas por dia.
O que muda é a forma como cada pessoa enxerga o próprio tempo. E isso pode influenciar o momento em que tende a ajudar um colega ou assumir uma tarefa extra por iniciativa própria.
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