A queda sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, de 70 anos, na sala da Polícia Federal onde está preso, chamou a atenção para os riscos de incidentes que afetam principalmente pessoas idosas. Segundo o cardiologista Brasil Caiado, um dos médicos que acompanha Bolsonaro, o ex-presidente caiu ao tentar caminhar dentro da cela, e não simplesmente por cair da cama, como era inicialmente informado.
Com o envelhecimento, ocorrem alterações fisiológicas como perda de massa muscular, redução do equilíbrio, diminuição dos reflexos e alterações da visão e da audição. A médica geriatra Dra. Claudia Caciquinho acrescenta que muitas vezes, além disso, estão associadas doenças crônicas, como a hipertensão, diabetes, demências e doença de Parkinson, uso de múltiplos medicamentos — especialmente anti-hipertensivos, sedativos e antidepressivos — e fatores ambientais, como pisos escorregadios, iluminação inadequada e ausência de barras de apoio.
"Mesmo quedas aparentemente simples podem resultar em fraturas, traumatismo craniano, sangramentos internos e perda de autonomia funcional, além do medo de cair novamente, que leva à restrição de mobilidade e piora global da saúde", alerta a médica.
Os exames não confirmaram se Bolsonaro caiu após uma crise convulsiva, conforme suspeita clínica.
Quais cuidados devem existir nas camas em que idosos dormem?
A cama do idoso deve ser considerada um equipamento de segurança. A altura precisa permitir que os pés toquem completamente o chão ao sentar-se na borda, reduzindo o risco de desequilíbrio ao levantar.
"Colchões devem ser firmes, evitando afundamento excessivo. Em idosos com risco aumentado de queda ou confusão mental, podem ser indicadas grades laterais, desde que bem avaliadas para não causar aprisionamento ou tentativas perigosas de sair da cama", diz a especialista.
A presença de iluminação noturna adequada, campainha ou telefone ao alcance das mãos e ausência de tapetes soltos ao redor da cama são medidas fundamentais. "Calçados antiderrapantes também devem ser utilizados ao levantar-se", sugere.
Quando procurar atendimento médico
Segundo a geriatra, todo idoso que sofre uma queda deve ser avaliado por um profissional de saúde, mesmo que não apresente dor intensa ou sinais evidentes de lesão.
"Em idosos, manifestações de fraturas, sangramentos ou traumatismo craniano podem ser tardias ou sutis. Quedas podem ser o primeiro sinal de condições graves, como arritmias cardíacas, hipotensão postural, infecções ou efeitos adversos de medicamentos. A avaliação médica permite identificar lesões ocultas, investigar a causa da queda e implementar estratégias para prevenir novos episódios", complementa.
Quais exames devem ser realizados após uma queda?
Os exames dependem do mecanismo da queda, dos sintomas apresentados e das doenças pré-existentes. "De forma geral, podem ser necessários exames de imagem, como radiografias para investigação de fraturas e tomografia computadorizada do crânio quando há impacto na cabeça, perda de consciência, confusão mental ou uso de anticoagulantes", diz.
Exames laboratoriais podem ser solicitados para avaliar anemia, distúrbios metabólicos, infecções ou desidratação. "Em alguns casos, eletrocardiograma e avaliação cardiológica são indicados para investigar causas clínicas associadas à queda".
A avaliação individualizada por um profissional habilitado é essencial para garantir segurança, diagnóstico adequado e prevenção de novos eventos.