As chamadas canetas emagrecedoras estão mais perto de chegar à rede pública de saúde. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (17) que medicamentos usados no tratamento da obesidade deverão ser oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes que tiverem indicação médica.
A novidade, porém, não significa que qualquer pessoa poderá procurar uma unidade de saúde e receber uma caneta para emagrecer. O Ministério da Saúde ainda trabalha na definição do protocolo que determinará quem poderá utilizar os medicamentos, quais serão as condições para o tratamento e como será feita a distribuição.
Qual caneta será oferecida pelo SUS?
Até o momento, o medicamento que aparece oficialmente no projeto conduzido pelo Ministério da Saúde é a semaglutida.
A substância está sendo avaliada em um projeto-piloto realizado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS). O estudo, chamado Real-Bari, acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças.
O grupo inclui pessoas que já tinham indicação para cirurgia bariátrica. A proposta é avaliar se o tratamento medicamentoso consegue controlar a obesidade em determinados pacientes e estabelecer parâmetros para uma eventual ampliação da oferta.
A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos conhecidos no mercado, entre eles Ozempic e Wegovy, mas isso não significa que as marcas comerciais serão automaticamente distribuídas pelo SUS.
A definição envolve questões como registro sanitário, indicação aprovada, custo, disponibilidade e protocolo de tratamento.
E o Ozempic e o Wegovy?
É importante fazer uma distinção. Ozempic e Wegovy têm semaglutida como princípio ativo, mas possuem indicações e apresentações diferentes. O fato de a semaglutida estar sendo estudada pelo governo não significa que o SUS tenha anunciado que entregará especificamente uma determinada marca aos pacientes.
O Ministério da Saúde informou que o Brasil já possui 14 produtos registrados para o combate à obesidade e destacou que o aumento da concorrência ajudou a reduzir os preços desses medicamentos nas farmácias.
Em julho, a Anvisa também anunciou o registro de cinco novos medicamentos à base de semaglutida. Segundo o Ministério da Saúde, a ampliação do número de produtos faz parte da estratégia para aumentar o acesso e estimular a concorrência no mercado brasileiro.
Tirzepatida, como o Mounjaro, também será distribuída?
Ainda não há confirmação de que a tirzepatida será uma das canetas fornecidas pelo SUS nesse novo programa. A substância é conhecida principalmente pelo Mounjaro, mas o anúncio do governo e o projeto-piloto atualmente em andamento estão concentrados na semaglutida.
Quem poderá receber a caneta de graça?
O governo informou que o tratamento será direcionado a pessoas com obesidade e indicação médica, e não a qualquer pessoa que queira utilizar uma caneta para perder alguns quilos. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o objetivo é disponibilizar os medicamentos de maneira responsável, com acompanhamento profissional e critérios clínicos.
Entre os grupos que estão sendo analisados estão pessoas que aguardam cirurgia bariátrica, pacientes com obesidade associada a problemas cardíacos e outros casos em que o controle da doença possa trazer benefícios à saúde.
Ainda não há uma data definida para que o tratamento esteja disponível de forma ampla em toda a rede pública. O Ministério da Saúde primeiro está usando o projeto-piloto para reunir informações sobre eficácia, segurança, acompanhamento dos pacientes e impacto financeiro.