Psoríase: conheça os sintomas da doença e fatores que podem desencadear crises

Condição inflamatória crônica e imunomediada afeta principalmente a pele, mas também pode comprometer articulações e unhas

2 jun 2026 - 15h30

Em maio, a aprovação de uma nova alternativa terapêutica para doenças inflamatórias crônicas reacendeu o debate sobre a psoríase no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro do medicamento ustequinumabe (Yesintek), indicado para o tratamento da psoríase, artrite psoriásica, doença de Crohn e colite ulcerativa.

A psoríase vai além da pele e pode afetar articulações, unhas e a qualidade de vida dos pacientes
A psoríase vai além da pele e pode afetar articulações, unhas e a qualidade de vida dos pacientes
Foto: lanastace | Shutterstock / Portal EdiCase

De acordo com dados globais da National Psoriasis Foundation, a psoríase atinge cerca de 125 milhões de pessoas em todo o mundo, o que representa entre 2% e 3% da população mundial. No Brasil, o cenário também chama atenção. Um estudo publicado pela Ipsos, empresa multinacional de pesquisa e consultoria de mercado, mostra um crescimento expressivo do número de pacientes em tratamento para psoríase no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2019 e 2024.

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Entre 2009 e 2019, o crescimento do volume de pacientes ocorreu de forma mais moderada, com taxa média anual de 6,1% para novos diagnósticos e 7,5% para pacientes em tratamento. Entre 2019 e 2024, os índices praticamente triplicaram, alcançando 19,2% para novos pacientes e 25% para aqueles em acompanhamento terapêutico.

O que é a psoríase?

A Dra. Maria de Fátima, dermatologista da Afya Educação Médica Belo Horizonte, explica que a psoríase é uma doença inflamatória crônica e imunomediada que afeta principalmente a pele, mas também pode comprometer articulações e unhas, além de estar associada a doenças intestinais e oculares, com importante impacto emocional e metabólico. Ela ocorre devido a uma ativação inadequada do sistema imunológico, que acelera o processo de renovação das células da pele.

Principais sinais de alerta da doença

Os sintomas da psoríase podem variar bastante entre os pacientes, mas alguns achados são bastante característicos e ajudam no reconhecimento precoce da doença. A dermatologista destaca que entre os principais sinais de alerta estão:

  • Placas avermelhadas e descamativas: costumam aparecer com maior frequência em áreas como cotovelos, joelhos, couro cabeludo e região lombar, variando em extensão e intensidade. Há também descamação mais evidente, com formação de "escamas" esbranquiçadas ou prateadas sobre as lesões;
  • Coceira, ardor ou sensibilidade local: podem estar presentes de forma leve ou mais intensa, dependendo do grau de inflamação da pele;
  • Alterações nas unhas: descolamento da lâmina ungueal, presença de ondulações, espessamento ou pequenos "furinhos", que podem indicar acometimento ungueal;
  • Dores articulares: que podem surgir em alguns casos e levantar a suspeita de artrite psoriásica, uma forma associada da doença;
  • Lesões em áreas de dobras do corpo: axilas, virilha e região inframamária, que podem ser confundidas com infecções fúngicas, como micose, exigindo avaliação cuidadosa para diagnóstico correto.

Fatores que podem desencadear as crises

Os pacientes podem ter crises desencadeadas ou agravadas por diferentes fatores, especialmente quando há predisposição genética. "Entre os principais gatilhos, estão o estresse emocional, infecções principalmente de garganta, traumas ou lesões na pele, tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, privação de sono, uso de alguns medicamentos como lítio e betabloqueadores, além da suspensão abrupta de corticoides sistêmicos. O clima frio e o ressecamento da pele também podem contribuir para o agravamento do quadro", alerta a Dra. Maria de Fátima.

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De acordo com a especialista, cada pessoa pode reagir de forma diferente a esses fatores, o que torna o acompanhamento médico individualizado essencial. A boa adesão ao tratamento, associada à adoção de hábitos de vida saudáveis e ao controle dos fatores desencadeantes, faz grande diferença na redução das crises, na melhora dos sintomas e na qualidade de vida.

Avanços nos tratamentos biológicos têm ampliado as possibilidades de controle da psoríase e melhorado a qualidade de vida dos pacientes
Foto: LightField Studios | Shutterstock / Portal EdiCase

Avanços no tratamento da psoríase

Segundo o estudo da Ipsos, os medicamentos biológicos já atendem pouco mais da metade dos pacientes tratados pelo SUS. Em 2024, três moléculas concentraram mais de 80% desse mercado: adalimumabe, secuquinumabe e ustequinumabe, consolidando-se como as principais opções terapêuticas para os casos moderados e graves da doença.

"Os avanços terapêuticos dos últimos anos transformaram o manejo da psoríase. Hoje, dispomos de medicamentos mais direcionados às vias inflamatórias da doença, o que proporciona maior eficácia e resposta mais rápida das lesões, além de um perfil de segurança mais favorável em comparação às terapias antigas. Com isso, observa-se melhora significativa da qualidade de vida, incluindo sono, autoestima e produtividade, bem como redução do impacto emocional e social da doença", complementa a Dra. Maria de Fátima.

Desafios no diagnóstico e no tratamento da psoríase

Ainda conforme o estudo da Ipsos, a distribuição dos casos entre homens e mulheres aparece praticamente empatada, com leve predominância feminina, representando 50,1% dos casos. No entanto, a pesquisa aponta diferenças importantes na idade do diagnóstico. Entre as mulheres, a confirmação da doença costuma ocorrer de forma mais tardia, concentrando-se entre 50 e 59 anos. Entre os homens, os diagnósticos se distribuem de maneira mais ampla, entre 44 e 64 anos.

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A pesquisa ouviu 164 médicos especialistas, que apontaram a falta de informação e conscientização da população como principal barreira no manejo da psoríase, citada por 58% dos entrevistados. Outro desafio frequente é o acompanhamento irregular, já que muitos pacientes procuram atendimento apenas em momentos de crise, o que compromete o controle contínuo da inflamação. Além disso, 50% dos médicos destacam a dificuldade no diagnóstico precoce como um dos principais entraves para um tratamento mais eficaz.

Além das dificuldades relacionadas ao diagnóstico e ao tratamento, a Dra. Maria de Fátima ressalta que ainda existem muitos mitos em torno da doença. "A psoríase não é contagiosa. É mito que ela 'pega pelo contato' ou que seja apenas um problema estético, já que se trata de uma doença inflamatória sistêmica. Por outro lado, é verdade que o estresse pode piorar o quadro e que a doença tem tratamento. Embora não exista cura definitiva, é possível controlá-la bem e alcançar longos períodos de remissão", conclui.

Por Matheus Garcia

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