A saúde ocular infantil é crucial para o aprendizado. Cerca de 20% das crianças em idade escolar têm problemas de visão, como miopia, hipermetropia e astigmatismo. Especialistas recomendam exames oftalmológicos a partir dos 3 anos para diagnóstico precoce. Pais e professores devem observar sinais como dificuldade para enxergar e rendimento escolar reduzido. 👓📚
Com a volta às aulas se aproximando, muitos pais voltam a se preocupar com a saúde dos filhos.
Entre os cuidados importantes está a saúde ocular infantil, já que alterações na visão podem comprometer o aprendizado e até passar despercebidas por muito tempo.
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam algum problema oftalmológico.
A miopia é a condição mais frequente, mas hipermetropia e astigmatismo também são comuns.
Quais sinais indicam que a criança pode precisar de óculos?
Nem sempre os pequenos conseguem explicar que estão enxergando mal. Por isso, é importante observar alguns comportamentos no dia a dia.
Entre os principais sinais estão:
- Apertar os olhos para enxergar.
- Esfregar os olhos com frequência.
- Reclamar de dor de cabeça.
- Aproximar muito o rosto de livros, celulares ou televisão.
- Dificuldade para copiar o conteúdo do quadro.
- Queda no rendimento escolar.
A oftalmopediatra Mayra Melo, do CBV-Hospital de Olhos, explica que alguns problemas só ficam evidentes quando a criança passa a frequentar a escola.
"No início da vida, o mundo da criança é predominantemente próximo, o que pode mascarar problemas de visão para longe, como a miopia. Muitas vezes, essas dificuldades só se manifestam quando a criança começa a frequentar a escola e precisa olhar para o quadro", explica Mayra.
Quando fazer o primeiro exame oftalmológico?
Antigamente, a recomendação era realizar a primeira avaliação apenas na fase pré-escolar. Hoje, especialistas orientam que o exame seja feito ainda na primeira infância, por volta dos 3 anos de idade.
Esse acompanhamento permite identificar alterações precocemente e iniciar o tratamento antes que elas prejudiquem o desenvolvimento visual.
Nem todo problema de visão apresenta sintomas
Em alguns casos, a criança não demonstra qualquer dificuldade para enxergar. Isso acontece principalmente quando apenas um dos olhos é afetado.
Nessas situações, o outro olho acaba compensando a deficiência, fazendo com que o problema passe despercebido por pais e responsáveis.
"O professor pode ser um grande aliado dos pais ao observar dificuldades visuais. Porém, há casos em que não há sinais aparentes, como quando uma deficiência afeta apenas um olho. A criança enxerga bem porque o outro olho compensa, mas ela não percebe que um dos olhos está com visão comprometida."
Por esse motivo, consultas periódicas com o oftalmologista continuam sendo fundamentais, mesmo quando a criança não apresenta queixas.
Diagnóstico precoce faz toda a diferença
Detectar alterações visuais cedo aumenta significativamente as chances de tratamento bem-sucedido.
Segundo a especialista, o desenvolvimento da visão acontece principalmente durante os primeiros anos de vida.
"O desenvolvimento da visão ocorre até os oito anos de idade, sendo crucial garantir boas condições visuais nesse período para que o cérebro aprenda a enxergar adequadamente. Caso uma deficiência visual seja descoberta após essa idade, as chances de reversão do quadro diminuem significativamente", explica Mayra.
Óculos podem melhorar o desempenho escolar
Problemas refrativos, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, costumam ser corrigidos com o uso de óculos prescritos pelo oftalmologista.
Além de proporcionar mais conforto para enxergar, a correção adequada contribui para melhorar a concentração, o rendimento escolar e a qualidade de vida da criança.
Por isso, ao perceber qualquer sinal de dificuldade visual, o ideal é procurar um especialista. Um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença para a saúde ocular e para o desenvolvimento infantil.