Nos últimos anos, os probióticos ganharam espaço nas prateleiras de farmácias e supermercados com a promessa de melhora da saúde intestinal e imunidade. Mas afinal, o que são essas “bactérias do bem” e será que faz sentido consumi-las em cápsulas?
Probióticos são microrganismos vivos, principalmente bactérias e leveduras , que, quando consumidos em quantidades adequadas, trazem benefícios à saúde. Eles atuam no equilíbrio da microbiota intestinal, o conjunto de trilhões de microrganismos que vivem no nosso intestino.
Entre os gêneros mais conhecidos estão Lactobacillus e Bifidobacterium, frequentemente presentes em alimentos fermentados e suplementos. Mas será que o consumo em cápsula é indicado?
"Probióticos em cápsula podem, sim, valer a pena — mas não para todo mundo e não de forma indiscriminada. Probiótico não é sinônimo de “algo bom para qualquer intestino”. Isso porque, nesse caso, estamos falando de microrganismos específicos, com cepas específicas, que produzem efeitos específicos. Portanto, a indicação deve ser individualizada", explica Dra. Isolda Prado, médica nutróloga, docente e diretora da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia).
Segundo a especialista, em quadros como síndrome do intestino irritável, diarreia associada a antibióticos, constipação funcional, distensão abdominal recorrente ou mesmo em algumas situações metabólicas e inflamatórias, determinadas cepas podem ajudar bastante.
"No entanto, usar qualquer probiótico “genérico”, sem saber a cepa, a dose (em UFC) e o objetivo terapêutico, pode acarretar resultados inconsistentes".
Outro ponto importante é que probiótico não substitui alimentação adequada. "Se a dieta é pobre em fibras, rica em ultraprocessados e com baixa diversidade alimentar, o efeito do probiótico tende a ser limitado. A microbiota precisa de substrato — e isso vem principalmente de fibras, polifenóis e alimentos in natura", complementa.
Como consumir?
Quanto à forma de consumo, geralmente a médica indica o uso diário, em jejum ou antes de dormir, dependendo da formulação, por um período mínimo de 4 a 8 semanas para avaliar resposta clínica.
"Em alguns casos, o uso é pontual; em outros, pode ser cíclico. O mais importante é escolher cepas com evidência científica para a queixa do paciente e não apenas “qualquer probiótico da farmácia”", conclui.