Por que o vinho tinto pode causar dor de cabeça? A ciência responde

Estudos recentes mostram que os sulfitos não são vilões e que a dor pode estar ligada à genética

26 fev 2026 - 16h15

A dor de cabeça após bebervinho é uma queixa comum. 

Dor depois de tomar vinho pode estar relacionada a compostos naturais da uva
Dor depois de tomar vinho pode estar relacionada a compostos naturais da uva
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Por muito tempo, o enxofre foi apontado como o principal culpado.

Publicidade

Hoje, a ciência mostra que essa associação não se sustenta.

Sulfitos causam dor de cabeça?

Os sulfitos são conservantes usados na produção de vinho. Eles ajudam a evitar oxidação e contaminação por microrganismos.

Regulamentações internacionais permitem, inclusive, níveis mais altos de sulfitos em vinhos brancos e doces. Isso enfraquece a ideia de que o vinho tinto seria o maior vilão.

Segundo pesquisas recentes, os sulfitos não provocam dor de cabeça. Em pessoas asmáticas, o dióxido de enxofre pode causar sintomas respiratórios quando inalado. Mas não está associado à cefaleia.

Publicidade

Um estudo publicado em 2024 na revista MDPI mostrou que vinhos sem adição de SO₂ apresentaram maior presença de microrganismos indesejáveis e níveis mais altos de aminas biogênicas, como histamina e tiramina.

Essas substâncias, sim, podem provocar rubor, palpitação e dor de cabeça em pessoas sensíveis.

Ou seja, retirar sulfitos pode aumentar o desconforto.

A explicação mais recente da ciência

Em 2023, pesquisadores da Universidade da Califórnia identificaram um possível mecanismo para a dor de cabeça relacionada ao vinho tinto.

O foco está na quercetina-3-glucuronídeo, um composto natural presente na casca da uva.

Essa substância pode bloquear a enzima ALDH2.

Essa enzima é responsável por metabolizar o acetaldeído, uma molécula tóxica produzida quando o corpo processa o álcool.

Publicidade

Quando a ALDH2 é inibida, o acetaldeído se acumula no organismo.

O resultado pode incluir:

  • Dor de cabeça.

  • Náusea.

  • Rubor facial.

  • Mal-estar.

A quercetina tende a estar mais concentrada em vinhos produzidos em climas quentes, com menor acidez e longa maceração.

Isso pode explicar por que alguns rótulos provocam mais sintomas do que outros.

Outros fatores que influenciam

A dor de cabeça após o vinho não depende apenas da bebida.

Outros fatores também contribuem:

  • Desidratação.

  • Consumo em jejum.

  • Predisposição genética.

  • Histórico de enxaqueca.

  • Variantes da enzima ALDH2.

Uma meta-análise publicada em 2025 concluiu que o vinho não causa enxaqueca na população geral. A reação tende a ser individual.

Vinhos "sem sulfitos" são mais seguros?

Nem sempre.

Publicidade

Sem sulfitos, o vinho pode se tornar biologicamente instável. Isso favorece a formação de histamina, substância associada a sintomas como dor de cabeça e rubor.

Na prática, os sulfitos ajudam a preservar a qualidade da bebida e reduzir riscos.

Como reduzir o risco de dor de cabeça

Algumas medidas simples podem ajudar:

  • Beber água entre as taças.

  • Consumir vinho junto com alimentos.

  • Evitar exageros.

  • Preferir rótulos equilibrados e bem elaborados.

  • Observar quais tipos causam mais sensibilidade.

Conhecer os próprios limites é fundamental.

O que a ciência mostra hoje

As evidências atuais indicam que os sulfitos não são os principais responsáveis pela dor de cabeça.

O desconforto parece resultar da interação entre compostos naturais do vinho, metabolismo do álcool e características individuais.

Genética e bioquímica têm papel central nesse processo.

Publicidade

Leia também:

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações