Jejum intermitente pode reduzir a gordura no fígado? O que dizem os estudos científicos

O jejum intermitente é objeto de análises com atenção pela comunidade científica como uma possível estratégia para reduzir gordura no fígado e melhorar a saúde hepática. Saiba mais detalhes!

26 fev 2026 - 15h03

O jejum intermitente é objeto de análises com atenção pela comunidade científica como uma possível estratégia para reduzir gordura no fígado e melhorar a saúde hepática. Em vez de focar apenas no que a pessoa come, esse método organiza os períodos do dia em que há alimentação e em que não há ingestão calórica. Assim, estudos recentes sugerem que essa mudança no padrão alimentar pode impactar diretamente a doença hepática gordurosa não alcoólica, ou doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (NAFLD/MAFLD).

Pesquisadores avaliam não só a perda de peso, mas também marcadores específicos do fígado, como enzimas hepáticas, grau de esteatose (acúmulo de gordura), inflamação e fibrose. Assim, o interesse cresce porque a NAFLD/MAFLD liga-se à obesidade, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, condições muito comuns na população adulta. Assim, a investigação do jejum intermitente ocorre como uma estratégia adicional dentro do conjunto de mudanças de estilo de vida.

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O jejum intermitente é objeto de análises com atenção pela comunidade científica como uma possível estratégia para reduzir gordura no fígado e melhorar a saúde hepática – depositphotos.com / katerynakon
O jejum intermitente é objeto de análises com atenção pela comunidade científica como uma possível estratégia para reduzir gordura no fígado e melhorar a saúde hepática – depositphotos.com / katerynakon
Foto: Giro 10

O que é jejum intermitente e por que ele pode afetar a gordura no fígado?

O jejum intermitente é um padrão alimentar que alterna períodos de alimentação com janelas de jejum. Porém, sem definir, obrigatoriamente, quais alimentos se deve consumir. Entre os formatos que mais se estuda estão o método 16:8 (16 horas em jejum e 8 horas para comer), o jejum em dias alternados e a restrição de tempo de alimentação, em que as refeições se concentram em 6 a 10 horas por dia. A palavra-chave principal aqui é jejum intermitente, mas o foco dos estudos é o impacto desse padrão sobre o metabolismo do fígado.

Quando se interrompe a ingestão de calorias por algumas horas, o organismo passa por uma mudança de combustível. Há redução do uso de glicose e aumento da utilização de ácidos graxos e corpos cetônicos. Portanto, esse processo tende a reduzir o armazenamento de gordura no fígado, diminuir a produção de glicose hepática e melhorar a sensibilidade à insulina. Em consequência, pode haver menor entrada de gordura no fígado, menos produção de triglicerídeos e maior mobilização de reservas já acumuladas.

Jejum intermitente reduz gordura no fígado? O que mostram os estudos clínicos

Diversos ensaios clínicos controlados, conduzidos nos últimos anos, investigaram se o jejum intermitente reduz diretamente a gordura hepática em pessoas com NAFLD/MAFLD. Alguns desses estudos compararam o jejum com dietas tradicionais de restrição calórica diária. Em muitos casos, ambos os grupos perderam peso, mas os participantes que seguiram jejum intermitente apresentaram reduções significativas na porcentagem de gordura no fígado avaliada por ultrassom, elastografia ou ressonância magnética.

Em alguns ensaios de 8 a 12 semanas, a restrição de tempo de alimentação levou a quedas relevantes nas enzimas hepáticas, como ALT e AST, usadas como indicadores indiretos de lesão hepática. Por sua vez, em pacientes com sobrepeso e NAFLD, protocolos de jejum em dias alternados mostraram melhora na resistência à insulina e diminuição da circunferência abdominal, fatores ligados ao acúmulo de gordura no fígado. Em determinados estudos, a redução de gordura hepática foi observada mesmo quando a perda de peso total não foi muito expressiva, sugerindo um efeito metabólico específico concentrado no fígado.

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É importante destacar que nem todos os estudos observaram os mesmos resultados e que a duração dos protocolos ainda costuma ser relativamente curta, variando de poucas semanas a alguns meses. Mesmo assim, a tendência geral das pesquisas aponta para um possível benefício do jejum intermitente na diminuição da esteatose hepática, principalmente quando associado à redução calórica global e à melhora de outros componentes da síndrome metabólica.

Quais mecanismos explicam o efeito do jejum intermitente sobre o fígado?

As hipóteses propostas pelos pesquisadores combinam vários mecanismos que atuam de forma conjunta. Um dos principais é a melhora da sensibilidade à insulina. Durante o jejum, há queda dos níveis de insulina e aumento da utilização de gordura como fonte de energia. Isso pode reduzir o fluxo de ácidos graxos livres para o fígado e diminuir a produção interna de gordura pelo órgão, processo conhecido como lipogênese de novo.

Outro ponto frequentemente citado é a ativação de vias ligadas à autofagia, mecanismo celular de reciclagem que ajuda a remover componentes danificados e excesso de lipídios dentro das células hepáticas. O jejum intermitente também está associado a menor estresse oxidativo e redução de marcadores inflamatórios sistêmicos, fatores envolvidos na progressão da NAFLD/MAFLD para formas mais avançadas, como esteato-hepatite e fibrose.

  • Redução da insulina: menos estímulo para armazenamento de gordura no fígado.
  • Maior queima de gordura: o organismo recorre mais aos ácidos graxos como energia.
  • Autofagia aumentada: maior capacidade de "limpar" excesso de lipídios nas células hepáticas.
  • Menos inflamação: queda em citocinas inflamatórias ligadas à lesão hepática.
  • Melhora do perfil metabólico: efeitos sobre glicemia, triglicerídeos e pressão arterial.

O que dizem revisões sistemáticas e meta-análises sobre NAFLD/MAFLD?

Nos últimos anos, revisões sistemáticas e meta-análises reuniram resultados de diversos ensaios para avaliar o potencial do jejum intermitente na NAFLD/MAFLD. De forma geral, essas análises indicam que o jejum, em diferentes formatos, tende a promover redução da gordura hepática, melhora em enzimas do fígado e perda de peso, especialmente em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Em vários trabalhos, o jejum intermitente mostrou desempenho semelhante ou, em alguns casos, um pouco superior às dietas de restrição calórica contínua.

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Algumas revisões destacam que protocolos baseados em restrição de tempo de alimentação parecem mais fáceis de sustentar no dia a dia do que jejuns em dias alternados, embora os dois modelos mostrem efeitos positivos sobre o fígado. Os autores também ressaltam que os estudos ainda têm limitações, como amostras pequenas, períodos relativamente curtos de acompanhamento e variação nos tipos de jejum utilizados. Mesmo assim, o panorama atual aponta o jejum intermitente como uma estratégia promissora para auxiliar no tratamento da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica.

  1. Redução média da gordura hepática em participantes com NAFLD/MAFLD.
  2. Queda de ALT e AST em boa parte dos ensaios clínicos avaliados.
  3. Melhora de resistência à insulina e outros marcadores cardiovasculares.
  4. Efeito semelhante ou superior a dietas hipocalóricas tradicionais em vários estudos.
A tendência geral das pesquisas aponta para um possível benefício ao fígado do jejum intermitente na diminuição da esteatose hepática, principalmente quando associado à redução calórica global e à melhora de outros componentes da síndrome metabólica – depositphotos.com / Furian
Foto: Giro 10

Qual o papel do jejum intermitente na prática para saúde do fígado?

Pesquisas científicas atuais sugerem que o jejum intermitente pode ser um componente útil dentro de um conjunto mais amplo de intervenções voltadas à redução da gordura no fígado. O potencial para melhorar NAFLD/MAFLD e funções hepáticas se relaciona tanto à perda de peso quanto a efeitos metabólicos específicos, como a diminuição da lipogênese e a melhora da sensibilidade à insulina.

Na prática, os resultados mais consistentes aparecem quando o jejum é combinado com alimentação equilibrada, controle de calorias e outros cuidados de estilo de vida, como maior atividade física e redução de consumo de bebidas açucaradas e álcool. À medida que novos ensaios de longa duração forem publicados, especialmente em populações diversas e com diferentes graus de doença hepática, o entendimento sobre o papel do jejum intermitente na saúde do fígado tende a se tornar mais preciso e detalhado.

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