O período de férias é o momento mais esperado do ano para relaxar e desligar da rotina. No entanto, o que deveria ser um descanso para a mente, muitas vezes se torna uma sobrecarga severa para o corpo.
Não é coincidência que os meses de dezembro e janeiro registrem um aumento significativo nas queixas de dores lombares, torcicolos e lesões musculares nos consultórios de ortopedia.
De acordo com o Dr. Márcio Godinho, ortopedista da Hapvida Bauru, o problema não está no verão em si, mas na mudança drástica de hábitos.
"O corpo sente o impacto da quebra de hábitos. As pessoas param atividades físicas regulares, exageram em esforços pontuais, passam horas sentadas em viagens longas e dormem fora da própria cama. Tudo isso se soma e cobra seu preço", explica.
Os principais gatilhos da dor nas férias
A transição entre o sedentarismo do escritório e a agitação das viagens esconde perigos para a coluna e articulações. Entre os vilões mais comuns, destacam-se:
- O "Atleta de fim de semana": Pessoas sedentárias que decidem praticar esportes intensos ou caminhadas longas sem preparo.
- Viagens prolongadas: Horas sentado em carros ou ônibus sem pausas.
- Dormir fora de casa: O uso de colchões improvisados ou travesseiros diferentes do habitual
- .Excesso de peso: Carregar malas pesadas, mochilas e até crianças de forma incorreta.
O corpo avisa: aprenda a identificar os sinais
A dor raramente surge "do nada". O organismo envia alertas que, se ignorados, podem levar a quadros incapacitantes. Segundo o especialista, é preciso ficar atento a:
Rigidez e fadiga
Sentir o corpo travado ao acordar ou após muito tempo sentado é um sinal de que a musculatura está em estado de defesa.
Redução da amplitude de movimento
Quando o pescoço ou as costas não se movem com a mesma fluidez de antes, a coluna já pode estar entrando em um processo de sobrecarga. Se a dor muscular após um esforço durar mais de três dias e for intensa, é hora de ligar o sinal de alerta.
Como proteger a coluna durante as viagens
O tempo prolongado na mesma posição dentro de um veículo aumenta a pressão nos discos lombares.
Para minimizar danos, o Dr. Godinho recomenda pausas a cada 1h30 ou 2 horas para caminhar e alongar. No carro, ajuste o banco com uma leve inclinação e use um apoio lombar (que pode ser até uma toalha enrolada).
No caso das malas, a regra de ouro é: use rodinhas sempre que possível. Se precisar levantar peso, utilize a força das pernas, dobrando os joelhos, e nunca curve a coluna para frente.
Quando a dor exige atenção imediata?
Nem todo desconforto é grave, mas alguns sintomas indicam a necessidade de busca urgente por um médico:
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Dor associada à perda de força nos braços ou pernas.
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Formigamento intenso ou dormência.
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Dificuldade para controlar urina ou fezes.
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Febre ou perda de peso inexplicada após o início da dor.
Para quem deseja aproveitar as férias para começar a se exercitar, a orientação é a progressão gradual.
Não aumente a intensidade dos treinos em mais de 10% por semana. O lema "no pain, no gain" (sem dor, sem ganho) é perigoso para iniciantes: a dor persistente não é sinal de evolução, mas de que algo está errado.