Estudo publicado na Alzheimer's & Dementia revelou que a exposição prolongada a partículas finas de poluição (PM2,5) prejudica a memória semântica, que guarda fatos e conhecimentos gerais. A pesquisa, feita com 740 idosos negros nos EUA, mostrou pior desempenho cognitivo entre os mais expostos, independentemente de renda ou escolaridade. O dano ocorreu de forma seletiva, sem afetar memórias recentes, indicando que reduzir poluentes protege o cérebro e previne o declínio cognitivo.
23 de setembro de 2026 (Bibliomed). A exposição prolongada à poluição do ar pode afetar a memória responsável por armazenar palavras, fatos e conhecimentos gerais, segundo estudo publicado na revista Alzheimer's & Dementia: Behavior & Socioeconomics of Aging.
Esse tipo de memória, chamado de memória semântica, funciona como uma espécie de "enciclopédia" do cérebro e é essencial para a comunicação e para atividades cotidianas.
A pesquisa avaliou 740 adultos negros, com idades entre 53 e 94 anos, nos Estados Unidos. Os pesquisadores calcularam a exposição residencial a partículas finas conhecidas como PM2,5 durante períodos de 5, 10 e 17 anos.
As pessoas expostas por mais tempo a níveis elevados de poluição apresentaram pior desempenho em testes de memória semântica. A associação permaneceu mesmo após serem considerados fatores como idade, escolaridade, renda e estado civil.
Não foi observada a mesma relação com a memória de acontecimentos recentes nem com habilidades como planejamento e tomada de decisões.
Os resultados sugerem que a poluição pode afetar algumas funções cerebrais de forma seletiva. A redução das partículas presentes no ar poderia ajudar a proteger o envelhecimento cerebral e diminuir desigualdades no risco de declínio cognitivo e demência.
Fonte: Alzheimer's & Dementia: Behavior & Socioeconomics of Aging. DOI: 10.1002/bsa3.70074.