Júlia Bossoni, de 28 anos, perdeu os movimentos do corpo após andar na montanha-russa Montezum, no parque Hopi Hari, em abril deste ano. A jovem e o marido, João Pedro Bossoni, saíram de Londrina (PR) com destino ao parque de diversões em Vinhedo (SP) para um passeio, que acabou resultando em um acidente.
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Apesar de não ter batido a cabeça, Júlia teve traumatismo cranioencefálico. A lesão neurológica pode ser provocada por movimento bruscos de aceleração e desaceleração durante o percurso do brinquedo. O chamado "efeito chicote" também projeta a cabeça com força para trás e para frente, podendo provocar lesões na coluna cervical, prejudicando os movimentos.
"Apesar de ser raro, movimentos muito bruscos podem provocar uma lesão na coluna. Nos casos mais graves, pode ocorrer fratura ou deslocamento de uma vértebra, com lesão da medula, levando à perda de força e sensibilidade", explica o ortopedista e traumatologista Vinícius Tapie, do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas.
De acordo com o especialista, uma lesão grave na coluna cervical pode ser ocasionada principalmente por acelerações e freadas bruscas, associadas a movimentos rápidos de flexão, extensão ou rotação da coluna. Essas forças podem ser ainda mais importantes quando acontecem de forma combinada.
"Cada organismo responde de uma forma. A pessoa pode ter alguma condição prévia que deixe a coluna mais vulnerável, como osteoporose, estreitamento do canal vertebral ou alguma alteração estrutural. A posição do corpo no momento do movimento também pode fazer diferença", afirma.
Mesmo estando localizado dentro de uma estrutura óssea fechada, protegido pelas meninges e por líquido, o cérebro não permanece completamente imóvel. Por isso, em casos de aceleração ou freadas bruscas, o movimento pode continuar e atingir as paredes internas do crânico, ocasionando uma lesão.
"Uma pessoa com doença prévia da coluna, fragilidade óssea ou estreitamento importante do canal vertebral pode sofrer uma lesão diante de forças que seriam toleradas pela maioria das pessoas. Para determinar a causa em um caso específico, é necessário analisar os exames, o mecanismo da lesão e as condições do brinquedo", acrescenta o especialista.
Mãe afirma que Hopi Hari cortou ajuda após alta de jovem
Imagens de câmera de segurança mostram o momento em que Júlia e o marido estão sentados em um dos bancos traseiros da montanha-russa. Durante a subida, a jovem aparece consciente e tranquila. No entanto, cerca de dois minutos depois, ela aparece desacordada.
O marido de Júlia relatou que ela chegou a sofrer uma convulsão. A jovem foi retirada do brinquedo e levada à Santa Casa de Vinhedo, onde ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Exames detectaram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral.
O brinquedo tem cerca de 42 metros de altura e pode chegar a 103 km/h em pouco mais de um quilômetro de extensão. "A gente conseguiu ainda pegar uma promoção e também ganhamos uma passagem VIP para a Montezum. E a gente foi a primeira vez, não teve problema", contou João à TV Globo.
Danielle Rimolli, mãe de Júlia, revelou nesta segunda-feira, 21, que o parque de diversões cortou a ajuda de custo à jovem após ela receber alta. De acordo com a mulher, o suporte financeiro limitou-se ao período de internação inicial de 57 dias em Vinhedo e foi cortado após o retorno da jovem a Londrina.
A mulher entrou na Justiça com processos cível e criminal contra o parque em uma ação conjunta que soma mais de 800 páginas e traz detalhes do histórico médico de Júlia. O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Em nota, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo Grupo TUV Nord, uma das maiores organizações de inspeção e testes de atrações do mundo. As inspeções acontecem anualmente no caso de atrações radicais como a Montezum, e bianuais, em atrações de baixa complexidade.
"Outros importantes protocolos de segurança, treinamento de pessoal e de atenção ao visitante fazem parte da rotina diária do Hopi Hari em todas as suas atrações. O parque também segue rigorosamente a norma nacional para parques de diversões 'ABNT NBR 15926-2023 Equipamentos de Parques de Diversão", disse.