Pesquisa indica eficácia de iniciar dois medicamentos ao mesmo tempo em pacientes cardíacos

Análise não identificou aumento de efeitos adversos em comparação ao modelo tradicional

29 abr 2026 - 17h55
(atualizado às 18h35)
Resumo
Pesquisa da Universidade do Porto indica que iniciar dois medicamentos simultaneamente em pacientes com insuficiência cardíaca é seguro e eficaz, sem aumentar efeitos adversos, podendo acelerar o acesso a terapias recomendadas internacionalmente.
Análise feita em Portugal não identificou aumento de efeitos adversos em comparação ao modelo tradicional
Análise feita em Portugal não identificou aumento de efeitos adversos em comparação ao modelo tradicional
Foto: Imagem Freepik / Flipar

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (POR) concluiu que iniciar dois tratamentos simultaneamente em pacientes com insuficiência cardíaca é uma estratégia viável e segura, podendo acelerar o acesso às terapias recomendadas por organizações internacionais.

Um dos responsáveis pelo trabalho, o professor e investigador João Pedro Ferreira falou sobre a importância da descoberta, especialmente para deixar médicos mais seguros sobre o procedimento. 

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"Esta descoberta é relevante porque muitos médicos hesitam em iniciar vários medicamentos ao mesmo tempo por receio de efeitos adversos. Este estudo sugere que, com acompanhamento adequado, uma abordagem mais rápida é viável e segura", explicou.

Publicado no Journal of the American College of Cardiology, o estudo avaliou pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, condição em que o coração tem dificuldade de bombear sangue. Os participantes foram acompanhados em diferentes centros no norte de Portugal, incluindo unidades de saúde no Porto e região metropolitana.

"As diretrizes internacionais recomendam que os fármacos sejam iniciados o mais precocemente possível e as doses ajustadas. Antes deste ensaio, não se sabia se era seguro e eficaz iniciá-los em simultâneo ou se seria melhor começar um e só depois o outro", acrescentou Ferreira. 

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A análise foi realizada ao longo de seis meses, com 62 participantes, sendo 29 no grupo simultâneo e 33 no grupo sequencial, com idade média de 68 anos e a maioria do sexo masculino, de acordo com a epidemiologia da doença.

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O estudo não apontou aumento de complicações graves no grupo que iniciou ambos os fármacos em simultâneo, bem como não houve sinais de pior tolerância renal, baixa grave de pressão arterial ou alterações graves de potássio. 

A insuficiência cardíaca é uma doença crônica grave, associada a sintomas como falta de ar e retenção de líquidos, e representa uma das principais causas de mortalidade entre pessoas com mais de 65 anos. Em Portugal, estima-se que mais de meio milhão de pessoas vivem com a enfermidade.

Fonte: Portal Terra
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