Obesidade pode causar 1 em cada 10 casos de câncer, diz estudo

Novo estudo alemão sugere que excesso de peso pode estar relacionado a até 11,5% dos casos de câncer

9 ago 2026 - 06h46
(atualizado às 07h58)
Foto: Boasaude Inc. / Boa Saúde

Câncer de intestino, mama e fígado estão entre os tipos cujo risco aumenta significativamente em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Além deles, a ciência já relaciona o excesso de peso a pelo menos outras dez formas de câncer.

Até recentemente, estimava-se que entre 2% e 8% de todos os casos de câncer estivessem associados ao excesso de peso. No entanto, um novo estudo liderado pelo epidemiologista Hermann Brenner, do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ, na sigla em alemão), sugere que esse impacto pode ter sido subestimado.

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De acordo com os resultados, até 11,5% dos casos de câncer podem estar relacionados ao sobrepeso e à obesidade. Em outras palavras, mais de um em cada dez diagnósticos de câncer pode estar associado ao excesso de gordura corporal.

Os pesquisadores do DKFZ "não apenas atualizaram as estimativas de risco existentes, como também questionaram se a relação entre obesidade e câncer vinha sendo subestimada", afirma o epidemiologista Michael Leitzmann, da Universidade de Regensburg, que não participou da pesquisa.

Ele estuda as relações entre alimentação, peso corporal, atividade física e o desenvolvimento de doenças crônicas e já aconselhou a ONG Deutsche Krebshilfe, fundação que trabalha no combate ao câncer.

Gordura abdominal é especialmente perigosa

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Em comparação com outros estudos, a equipe do DKFZ modificou os métodos de investigação. Pesquisas anteriores utilizavam o Índice de Massa Corporal (IMC) como indicador de excesso de peso, calculado a partir da altura e do peso da pessoa.

Mas o IMC não diferencia massa muscular de massa gorda. Além disso, ele não permite saber como a gordura está distribuída pelo corpo. Isso é importante porque nem toda gordura corporal tem o mesmo efeito. As células de gordura acumuladas na região abdominal são mais do que simples depósitos passivos de calorias excedentes, como ocorre em outras partes do corpo.

"Elas desencadeiam um estado metabólico inflamatório crônico", explica Leitzmann.

A gordura abdominal excessiva atua como uma espécie de glândula, liberando moléculas sinalizadoras chamadas adipocinas. Essas substâncias circulam pelo sangue e influenciam diversos processos metabólicos no organismo, incluindo o crescimento e a divisão celular e a inibição da morte celular programada.

"Todos esses são mecanismos que podem contribuir para o surgimento e também para o crescimento de tumores", afirma Leitzmann.

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Por isso, além do IMC, os pesquisadores do DKFZ analisaram a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril.

Foram incluídas informações sobre 458.543 homens e mulheres do banco de dados de saúde britânico UK Biobank. Em média, os participantes foram acompanhados durante 12 anos. Nesse período, houve cerca de 50 mil novos casos de câncer.

Por que estudos anteriores subestimaram o risco?

Os pesquisadores também quiseram eliminar uma possível distorção metodológica presente em estudos anteriores: o fato de que o câncer pode causar perda de peso antes mesmo de ser diagnosticado.

Assim, é possível que pesquisas anteriores não tenham detectado adequadamente a relação entre obesidade e câncer porque alguns participantes já estavam perdendo peso devido à doença em desenvolvimento quando entraram nos estudos.

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Para evitar esse problema, a equipe excluiu dos cálculos os primeiros anos após o ingresso dos participantes na pesquisa. Foram considerados apenas os casos de câncer diagnosticados sete anos após o início do acompanhamento. Dessa forma, a associação estatística entre excesso de peso e câncer tornou-se mais evidente.

Obesidade e câncer em mulheres

O estudo sugere que a proporção de mulheres com excesso de peso que desenvolvem câncer é maior do que a observada entre os homens.

Michael Leitzmann, porém, recomenda cautela na interpretação desses resultados. Segundo ele, são necessários mais estudos com desenho semelhante para verificar se esses achados podem ser reproduzidos.

Mesmo assim, ele apresenta uma possível explicação para o fenômeno. O excesso de peso está associado, entre outros, ao desenvolvimento de câncer de mama, útero e ovário. "Esses tipos de câncer que afetam as mulheres são dependentes de hormônios", explica Leitzmann.

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Por exemplo, o hormônio estrogênio pode estimular o crescimento do câncer de mama. Por sua vez, o excesso de gordura abdominal contribui para níveis mais elevados de estrogênio no organismo.

Prevenção da obesidade pode reduzir casos de câncer

Segundo Leitzmann, a maioria das pessoas já sabe que o excesso de peso aumenta o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.

Por outro lado, isso também significa que a redução do peso corporal diminui o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e diabetes.

Embora o estudo do DKFZ destaque o maior risco de câncer associado à obesidade, Leitzmann vê principalmente uma oportunidade nos resultados apresentados.

"Para mim, a conclusão é muito clara: com a prevenção da obesidade, poderemos contribuir muito mais para a prevenção do câncer do que se imaginava até agora".

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