Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) no dia 26 de maio, as empresas serão obrigadas a identificarem, prevenirem e gerenciarem situações que possam possivelmente afetar a saúde mental dos trabalhadores, tais como, sobrecarga, assédio moral e metas abusivas.
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Antes da atualização, os fatores de risco psicossociais não estavam fora das obrigações das empresas, mas não eram tratados de forma tão explicita. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho mostram que mais de 400 mil afastamentos durante os primeiros nove meses de 2025 foram ocasionados por transtornos mentais.
A psicóloga Patricia Ansarah, CEO do Instituto Internacional de Segurança Psicológica (IISP), explica ao Terra que a atualização da NR-1 provoca uma mudança muito importante na forma como as empresas enxergam e lidam com a saúde mental no ambiente de trabalho.
"Durante muitos anos, esse tema ficou restrito a ações muito pontuais, campanhas específicas ou até mesmo benefícios isolados. Agora, a tendência é que esse assunto passe a fazer parte de uma gestão de risco para a sustentabilidade do negócio."
Para a especialista, isso significa que as empresas ter um olhar mais dedicado a fatores psicossociais do ambiente de trabalho, tais como, excesso de pressão, liderança tóxica, jornadas exaustivas, metas incompatíveis e conflitos constantes sem solução.
"Tudo isso vai gerando insegurança, o medo de errar, insegurança de pedir ajuda, para eventualmente ter uma redistribuição de esforços ou repriorização. A grande questão é que a gente lembrar que o adoecimento não acontece do nada, ele acontece muito antes e vai sendo construído nas relações do dia a dia e pautado", afirma.
Na prática, a atualização da norma pode ajudar as empresas a começarem a estruturar ações mais consistentes na promoção da saúde, com escuda, cuidado e atenção ao coletivo, o que acabaria impactando diretamente no clima e na produtividade.
"Até agora, as empresas já tinham obrigação de cuidar da segurança física dos trabalhadores. Com a atualização da NR-1, elas passam a ter de identificar, avaliar e prevenir também fatores do ambiente de trabalho que podem prejudicar a saúde mental dos funcionários", acrescenta.
A especialista ressalta que já existem dados suficientes mostrando o impacto direto do cuidado com a saúde mental do trabalhadores nos negócios. Outro pronto destacado é que falar de saúde mental exige maturidade da liderança, para olhar a cultura e as relações de poder dentro das empresas.
Com a questão regulatória em vigor, empresas passam a procurar iniciativas voltadas à saúde emocional corporativa, voltadas para prevenção de burnout e fortalecimento da segurança emocional dentro das empresas.
Sandro Mota, especialista em regulação emocional e desenvolvimento de resiliência humana, desenvolveu uma abordagem fruto de duas décadas de atuação trabalhando com executivos, empresários e atletas de elite.
O profissional afirma ao Terra que a performance sustentável não pode existir sem equilíbrio emocional, autorregulação e qualidade nas relações humanas. A abordagem intitulada Mota Method é focada em sessões e experiências de fortalecimento emocional de lideranças e equipes, integrando práticas de respiração consciente, consciência corporal, gestão emocional e desenvolvimento humano.
"O que vemos hoje nas empresas não é apenas excesso de trabalho. Existe uma crise silenciosa de exaustão emocional. Muitas pessoas continuam funcionando, produzindo e performando, mas internamente já estão no limite. O futuro das empresas depende da capacidade de cuidar das pessoas de forma real, humana e preventiva."
De acordo com Sandro, ambientes de trabalho emocionalmente seguros tendem a fortalecer cultura, engajamento, comunicação e capacidade de colaboração entre equipes, além de reduzir impactos relacionados à sobrecarga mental e ao adoecimento emocional.
"O cuidado emocional não deve existir apenas quando alguém adoece. Empresas que desejam crescer de forma sustentável precisam entender que saúde emocional também é estratégia, cultura e responsabilidade humana", completa.