Novos sensores reduzem o custo do estudo de doenças genéticas

24 jul 2026 - 11h29
(atualizado às 11h31)

24 de julho de 2026 (Bibliomed). Pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Esatados Unidos, desenvolveram uma nova classe de sensores de baixo custo e escaláveis que podem ser usados para monitorar a atividade elétrica em organoides cerebrais humanos. Como os sinais elétricos são essenciais para a compreensão do funcionamento do cérebro, esse avanço facilita a pesquisa tanto no neurodesenvolvimento quanto em distúrbios genéticos, como a síndrome de Angelman.

Novos sensores reduzem o custo do estudo de doenças genéticas
Novos sensores reduzem o custo do estudo de doenças genéticas
Foto: DC_Studio/Evanto / Boa Saúde

Organoides cerebrais humanos são tecidos de tamanho milimétrico compostos por tipos celulares tipicamente encontrados em diferentes regiões do cérebro. Eles são produzidos através do cultivo de células-tronco. Esses organoides são importantes para diversas áreas de pesquisa, pois permitem que os pesquisadores estudem o comportamento de células e tecidos do sistema nervoso de maneiras que não são possíveis com modelos animais.

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Por exemplo, a síndrome de Angelman é uma doença genética associada a atraso no desenvolvimento, deficiência intelectual, comprometimento da fala e problemas de movimento. Como os pesquisadores não podem realizar pesquisas no cérebro humano em desenvolvimento, os organoides cerebrais humanos representam uma plataforma valiosa para a compreensão da atividade genética que causa a doença e para o desenvolvimento de tratamentos terapêuticos.

Os pesquisadores desenvolveram um dispositivo chamado CAMEO - Conformal Array for Monitoring Electrophysiology of Organoids (Matriz Conformal para Monitoramento da Eletrofisiologia de Organoides). O dispositivo consiste em 12 filamentos de nanotubos de carbono suspensos em formato de cesta. Os nanotubos de carbono são processados de forma a preservar a flexibilidade e a sensibilidade do material aos sinais elétricos. Na prática, o organoide é suspenso no CAMEO, como um ovo em uma cesta. A extremidade de cada filamento fica exposta, criando um eletrodo capaz de detectar os sinais elétricos do organoide. Os sinais são então transmitidos através do filamento de nanotubos de carbono para um dispositivo que registra a atividade elétrica.

Em testes de prova de conceito, os pesquisadores demonstraram que o CAMEO era capaz de monitorar a atividade elétrica em organoides, que podia detectar sinais de baixa amplitude que são cruciais para a pesquisa biológica e que era capaz de detectar alterações de sinal desencadeadas por substâncias químicas que estimulam a atividade elétrica em sistemas neurológicos. A principal vantage é que a matriz de microeletrodos utiliza materiais relativamente baratos e é muito mais fácil de fabricar, tornando-a substancialmente menos dispendiosa. Isso deve facilitar muito a ampliação da escala, permitindo que os pesquisadores realizem estudos em larga escala.

Fonte: npj Biosensing. DOI: 10.1038/s44328-026-00088-9.

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