Mulheres de 45 a 55 anos têm maior risco de morte após infarto, diz estudo

Pesquisa brasileira acende alerta para maior vulnerabilidade feminina na meia-idade após infarto

23 abr 2026 - 15h08

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 400 mil pessoas morrem todos os anos por problemas como infarto e AVC.

Entenda o risco após infarto e porque ele é maior em mulheres
Entenda o risco após infarto e porque ele é maior em mulheres
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Dentro desse cenário, um novo estudo traz um alerta importante. Mulheres entre 45 e 55 anos apresentam maior risco de morte após um infarto, em comparação com homens da mesma idade.

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Estudo analisou quase 5 mil pacientes

A pesquisa foi conduzida pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde.

Os pesquisadores acompanharam cerca de 5 mil pacientes internados com infarto agudo do miocárdio no Sistema Único de Saúde, em Curitiba, entre 2008 e 2015.

A taxa geral de mortalidade foi de 29,5%. No entanto, o dado que mais chamou atenção foi a diferença entre homens e mulheres na meia-idade.

Mulheres na meia-idade têm maior risco

Os resultados mostraram que mulheres entre 45 e 54,9 anos têm risco significativamente maior de morrer após um infarto. Isso acontece mesmo quando comparadas a homens com histórico de saúde semelhante.

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Outro ponto importante é que, em geral, as mulheres costumam ter infarto em idades mais avançadas. Ainda assim, esse grupo mais jovem apresentou maior vulnerabilidade.

O que explica esse risco maior?

Segundo o cardiologista José Rocha Faria Neto, existe um "paradoxo de gênero".

Isso porque mulheres nessa faixa etária tendem a ter menos fatores de risco clássicos. Mesmo assim, apresentam pior prognóstico após o infarto.

Entre as possíveis explicações estão mudanças hormonais típicas da perimenopausa e da menopausa. Além disso, fatores vasculares e psicossociais também podem influenciar.

Sintomas podem ser diferentes nas mulheres

Outro ponto de atenção é que os sintomas de infarto nas mulheres nem sempre são os mais conhecidos.

Além da dor no peito, podem surgir sinais como:

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  • Fadiga intensa.
  • Náuseas.
  • Dor na mandíbula.

Esses sintomas atípicos podem dificultar o diagnóstico. Como consequência, há maior risco de atraso no atendimento e no tratamento.

Falta de diagnóstico e tratamento adequado preocupa

O estudo também aponta problemas como subdiagnóstico e subtratamento em mulheres. Em muitos casos, há demora para identificar o infarto ou iniciar o cuidado adequado.

Além disso, a falta de acompanhamento contínuo pode agravar o quadro.

Para os especialistas, isso reforça a necessidade de atenção específica à saúde feminina, principalmente na meia-idade.

Alerta para o sistema de saúde

Os pesquisadores destacam que mulheres nessa faixa etária formam um grupo de alta vulnerabilidade.

Por isso, são necessárias estratégias mais direcionadas. Entre elas estão:

  • Maior capacitação de profissionais de saúde.
  • Ampliação do acesso ao diagnóstico.
  • Acompanhamento mais próximo após o infarto.

O estudo foi publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, periódico da Sociedade Brasileira de Cardiologia, referência na área.

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Prevenção ainda é o melhor caminho

Apesar dos dados preocupantes, a prevenção continua sendo essencial. Manter hábitos saudáveis pode reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares.

Entre as principais recomendações estão:

  • Alimentação equilibrada.
  • Prática regular de exercícios.
  • Acompanhamento médico.

Cuidar da saúde do coração é fundamental em todas as fases da vida. E, no caso das mulheres, a atenção deve ser ainda maior durante a meia-idade.

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