As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 400 mil pessoas morrem todos os anos por problemas como infarto e AVC.
Dentro desse cenário, um novo estudo traz um alerta importante. Mulheres entre 45 e 55 anos apresentam maior risco de morte após um infarto, em comparação com homens da mesma idade.
Estudo analisou quase 5 mil pacientes
A pesquisa foi conduzida pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde.
Os pesquisadores acompanharam cerca de 5 mil pacientes internados com infarto agudo do miocárdio no Sistema Único de Saúde, em Curitiba, entre 2008 e 2015.
A taxa geral de mortalidade foi de 29,5%. No entanto, o dado que mais chamou atenção foi a diferença entre homens e mulheres na meia-idade.
Mulheres na meia-idade têm maior risco
Os resultados mostraram que mulheres entre 45 e 54,9 anos têm risco significativamente maior de morrer após um infarto. Isso acontece mesmo quando comparadas a homens com histórico de saúde semelhante.
Outro ponto importante é que, em geral, as mulheres costumam ter infarto em idades mais avançadas. Ainda assim, esse grupo mais jovem apresentou maior vulnerabilidade.
O que explica esse risco maior?
Segundo o cardiologista José Rocha Faria Neto, existe um "paradoxo de gênero".
Isso porque mulheres nessa faixa etária tendem a ter menos fatores de risco clássicos. Mesmo assim, apresentam pior prognóstico após o infarto.
Entre as possíveis explicações estão mudanças hormonais típicas da perimenopausa e da menopausa. Além disso, fatores vasculares e psicossociais também podem influenciar.
Sintomas podem ser diferentes nas mulheres
Outro ponto de atenção é que os sintomas de infarto nas mulheres nem sempre são os mais conhecidos.
Além da dor no peito, podem surgir sinais como:
- Fadiga intensa.
- Náuseas.
- Dor na mandíbula.
Esses sintomas atípicos podem dificultar o diagnóstico. Como consequência, há maior risco de atraso no atendimento e no tratamento.
Falta de diagnóstico e tratamento adequado preocupa
O estudo também aponta problemas como subdiagnóstico e subtratamento em mulheres. Em muitos casos, há demora para identificar o infarto ou iniciar o cuidado adequado.
Além disso, a falta de acompanhamento contínuo pode agravar o quadro.
Para os especialistas, isso reforça a necessidade de atenção específica à saúde feminina, principalmente na meia-idade.
Alerta para o sistema de saúde
Os pesquisadores destacam que mulheres nessa faixa etária formam um grupo de alta vulnerabilidade.
Por isso, são necessárias estratégias mais direcionadas. Entre elas estão:
- Maior capacitação de profissionais de saúde.
- Ampliação do acesso ao diagnóstico.
- Acompanhamento mais próximo após o infarto.
O estudo foi publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, periódico da Sociedade Brasileira de Cardiologia, referência na área.
Prevenção ainda é o melhor caminho
Apesar dos dados preocupantes, a prevenção continua sendo essencial. Manter hábitos saudáveis pode reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares.
Entre as principais recomendações estão:
- Alimentação equilibrada.
- Prática regular de exercícios.
- Acompanhamento médico.
Cuidar da saúde do coração é fundamental em todas as fases da vida. E, no caso das mulheres, a atenção deve ser ainda maior durante a meia-idade.