Endocrinologista e nutrólogo Dr. Vagner Chiapetti explica como inflamação, cortisol elevado e resistência à insulina influenciam o metabolismo de mulheres a partir dos 40 anos
Cada vez mais mulheres relatam dificuldade para manter o peso após os 40 anos. Alterações hormonais que acontecem durante o Climatério, período que antecede e inclui a menopausa, podem impactar diretamente o metabolismo.
Essa fase pode começar até 10 anos antes da última menstruação e costuma ser marcada por oscilações hormonais que influenciam energia, sono, composição corporal e controle do peso.
Segundo o endocrinologista e nutrólogo Dr. Vagner Chiapetti, muitas mulheres percebem mudanças importantes no corpo durante esse período.
"Durante o climatério e a perimenopausa ocorre uma queda progressiva dos hormônios femininos, principalmente do estrogênio. Essa mudança hormonal pode influenciar o metabolismo, favorecendo aumento de gordura corporal e maior dificuldade para emagrecer", explica o médico.
De acordo com o especialista, alguns mecanismos metabólicos ajudam a explicar por que esse processo acontece, entre eles inflamação crônica de baixo grau, aumento do cortisol e maior risco de resistência à insulina.
Inflamação de baixo grau pode influenciar o metabolismo
Durante o climatério, o organismo pode apresentar um aumento da chamada inflamação metabólica de baixo grau, que ocorre de forma silenciosa.
"A redução do estrogênio está associada a um aumento de processos inflamatórios no organismo. Esse cenário pode alterar a forma como o corpo utiliza energia e gordura", afirma Dr. Vagner Chiapetti.
Segundo o médico, essa mudança pode favorecer o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, padrão muito comum nessa fase da vida.
"É por isso que muitas mulheres percebem que o corpo muda de forma após os 40 anos, mesmo mantendo hábitos semelhantes aos de antes", explica.
Cortisol elevado também pode influenciar o peso
Outro fator importante é o aumento do cortisol, conhecido como hormônio do estresse.
Alterações hormonais, noites mal dormidas, ondas de calor e maior estresse emocional, sintomas comuns da Menopausa, podem contribuir para a elevação desse hormônio.
"O cortisol elevado por períodos prolongados pode estimular o aumento do apetite, principalmente por alimentos ricos em açúcar e gordura, além de favorecer o acúmulo de gordura abdominal", explica o endocrinologista.
Além disso, o hormônio também pode reduzir a massa muscular e desacelerar o metabolismo.
Resistência à insulina se torna mais comum
Durante o climatério e a menopausa, também aumenta o risco de desenvolver resistência à insulina.
Essa condição ocorre quando as células passam a responder menos à ação da insulina, dificultando o controle da glicose no sangue.
"Quando o organismo desenvolve resistência à insulina, o corpo precisa produzir mais desse hormônio para manter a glicose equilibrada. Esse processo favorece o armazenamento de gordura e pode dificultar o emagrecimento", afirma Dr. Vagner Chiapetti.
Segundo ele, esse é um dos motivos pelos quais muitas mulheres relatam ganho de peso nessa fase, mesmo sem grandes mudanças na alimentação.
Estratégias podem ajudar a equilibrar o metabolismo
Apesar das mudanças hormonais naturais do climatério, especialistas ressaltam que é possível minimizar os impactos metabólicos com acompanhamento adequado.
"Com estratégias personalizadas que envolvem alimentação adequada, atividade física regular, melhora da qualidade do sono e avaliação hormonal, conseguimos ajudar a mulher a passar por essa fase com mais equilíbrio metabólico e melhor qualidade de vida", conclui Dr. Vagner Chiapetti.