Médico infectologista e especialista em saúde pública, o brasileiro Marcus Vinícius Guimarães Lacerda foi nomeado diretor do Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Durante a pandemia de covid-19, o pesquisador foi alvo de postagens falsas em redes sociais que o acusavam de ter provocado mortes intencionais de pacientes ao administrar altas doses de cloroquina.
As publicações também associavam seu nome a organizações de esquerda, numa tentativa de descredibilizar estudos que apontavam a ineficácia do medicamento no tratamento da doença. Posteriormente, a cloroquina foi comprovada como ineficaz contra o coronavírus.
A nomeação foi feita pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e Lacerda assume o cargo no início de março. Ele será o segundo brasileiro a coordenar o programa de pesquisa — o primeiro foi o médico e biofísico Carlos Morel, ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Criado em 1975, o programa da OMS é uma colaboração científica global que reúne parceiros como Unicef, Banco Mundial e Fiocruz. Seu foco é o financiamento e apoio à pesquisa para o enfrentamento de doenças infecciosas que afetam principalmente populações mais vulneráveis, como doença de Chagas, dengue, leishmaniose, oncocercose e doença do sono.
Quem é Marcus Lacerda?
Atualmente, Lacerda coordena o Laboratório do Instituto de Pesquisas Clínicas Carlos Borborema (IPCCB), vinculado à Fiocruz Amazônia, em Manaus. Ele é professor da Universidade do Estado do Amazonas e da University of Texas Medical Branch (UTMB), nos Estados Unidos.
O médico também é ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) e se consolidou como referência internacional em pesquisas sobre malária, especialmente no manejo e eliminação do Plasmodium vivax.
Natural de Taguatinga (DF), o pesquisador é graduado em medicina pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em infectologia pela Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), no Amazonas.
Entre os temas que integram seu escopo de pesquisa estão, além da malária, HIV, histoplasmose, arboviroses e covid-19.