Maternidade real: Por que o amor pelo bebê pode levar meses para surgir?

Descubra por que o amor pelo bebê pode demorar a ser sentido e como lidar com os desafios da maternidade.

27 fev 2026 - 12h06

O início da maternidade nem sempre é como imaginamos.

Foto: Reprodução/Shutterstock / Alto Astral

Embora o enxoval e o quarto do bebê estejam prontos, muitas mulheres descrevem o puerpério como um choque.

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Sono fragmentado, dificuldades na amamentação, visitas constantes e uma sensação de solidão podem marcar essa fase.

A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, explica que a preparação deve ir além das questões práticas. Ela sugere que a mulher se prepare emocionalmente durante a gestação, com conversas sobre rotina, saúde mental e divisão de tarefas.

A adaptação psicológica pode demorar mais que a física

A mudança psicológica não acontece no mesmo ritmo da adaptação orgânica do corpo.

Enquanto o puerpério é uma adaptação física, que pode durar de duas semanas a seis meses, a adaptação psicológica pode durar até dois ou três anos.

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A psicóloga responde as dúvidas mais comuns sobre a maternidade real.

Abaixo, você encontra explicações sobre o que é esperado nesse período e como lidar com as dificuldades.

1) Por que a maternidade real é diferente das redes sociais?

Nas redes sociais, muitas vezes vemos uma versão romantizada da maternidade.

A psicóloga alerta para os riscos de idealizar essa fase, o que pode gerar frustração e culpa quando surgem dificuldades reais.

A imagem de uma mãe sorrindo e feliz no puerpério pode esconder um cenário de medo, angústia e incertezas.

"Muitas mulheres, por trás de um sorriso e uma foto bonita, podem estar se sentindo muito sozinhas e cheias de dúvidas", afirma Rafaela.

Isso acontece porque o real é bem diferente do que é mostrado nas redes sociais.

A falta de preparação pode fazer com que a mulher se sinta injustiçada e até traída pela realidade.

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2) Baby blues é depressão? Como diferenciar?

Não, baby blues não é depressão.

É uma oscilação emocional comum nos primeiros dias após o parto, com choro fácil, irritação e cansaço. Essa condição geralmente dura entre duas a três semanas.

O baby blues pede acolhimento e apoio.

Porém, se os sintomas persistirem além desse período ou piorarem, é hora de buscar orientação profissional.

A depressão pós-parto precisa de cuidados adequados.

Se os sintomas impactam o dia a dia e o vínculo com o bebê, a avaliação médica é essencial.

3) O instinto materno realmente existe?

É comum acreditar que a maternidade é um instinto natural, mas a psicóloga refuta essa ideia.

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A mãe não nasce sabendo tudo sobre como cuidar do bebê. A maternidade é um processo de aprendizado.

"Não existe instinto materno. Mãe aprende a cuidar do bebê", diz Rafaela.

Esse aprendizado envolve acertos, erros e muito carinho.

Se você não souber o que fazer logo de início, não se culpe.

A maternidade exige tempo para se adaptar e é normal aprender com o tempo.

4) É normal não amar o bebê imediatamente?

Sim, não é incomum que o amor por um recém-nascido não surja imediatamente.

Muitas mulheres sentem vergonha de admitir que não se conectaram com o bebê logo após o parto.

"É comum que o amor vá se desenvolvendo aos poucos", explica a psicóloga.

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Algumas mulheres começam a se vincular ao bebê apenas após três ou quatro meses.

Isso não significa que há algo de errado com você ou com o bebê.

O vínculo afetivo pode levar tempo para ser construído, e isso é completamente normal.

5) Quais lutos são esperados no puerpério?

O puerpério é uma fase de muitas perdas, chamadas de "lutos das pequenas coisas".

A mulher perde a liberdade de tomar um banho demorado, dormir bem e até ter tempo para si mesma.

"Tristeza nesse momento é normal. Não significa que você esteja com depressão", afirma Rafaela.

O luto pela perda de autonomia e pela mudança de rotina deve ser encarado como parte do processo de adaptação.

Lidar com as pequenas perdas

A psicóloga explica que a aceitação desses lutos é uma forma de lidar melhor com a maternidade.

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Saber que há uma fase de adaptação ajuda a reduzir a pressão sobre si mesma e a aceitar que a rotina vai mudar.

6) O que é invisibilidade materna?

Muitas mulheres sentem um tipo de invisibilidade após o parto.

Durante a gestação, a atenção está toda voltada para a mãe, mas, após o nascimento do bebê, o foco social muda para ele.

Rafaela explica que a mãe recebe muita atenção durante a gravidez, mas, logo após o parto, fica "invisível".

"Todo mundo pergunta pelo bebê e ninguém mais pergunta por ela", explica.

Essa invisibilidade materna pode ser dolorosa.

Combinar visitas e tipos de ajuda antes do parto pode ajudar a reduzir esse impacto emocional.

7) O que realmente é uma boa rede de apoio?

Uma rede de apoio de verdade vai além de quem apenas visita o bebê.

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Ela se trata de quem realmente ajuda no cotidiano da mãe, como oferecendo comida pronta, cuidando do bebê para que ela possa descansar e ajudando com as tarefas de casa.

"O apoio verdadeiro é aquele que sustenta a mãe no dia a dia e não apenas na visitação", diz a psicóloga.

Ter uma rede de apoio efetiva é essencial para aliviar a carga emocional e física da mulher.

8) Como organizar a divisão de tarefas no puerpério?

Muitas mulheres acreditam que o parceiro irá dividir tudo igualmente, mas isso nem sempre acontece.

O puerpério exige acordos claros e definidos, como a logística da madrugada e limites para visitas.

Evitar o erro de deixar tudo para "ver na hora" ajuda a reduzir o estresse.

Estabeleça tarefas objetivas e combine regras para uma divisão de responsabilidades eficiente.

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9) O pré-natal psicológico pode prevenir adoecimentos?

Rafaela defende que o pré-natal psicológico é fundamental para preparar as mulheres para a maternidade.

Ele antecipa reflexões sobre a divisão de tarefas, limites para visitas e a organização da rede de apoio.

Essa preparação ajuda a evitar o choque com a realidade do pós-parto.

Além disso, reduz as chances de sofrimento psicológico durante a adaptação.

Como se planejar antes do bebê nascer

  • Alinhe suas expectativas com a maternidade real, longe das redes sociais.

  • Combine regras claras de visitação e apoio.

  • Organize uma rede de apoio prática, que inclua ajuda com tarefas domésticas e cuidados com o bebê.

  • Estabeleça um acordo claro sobre as tarefas de casa e responsabilidades.

  • Entenda que o vínculo com o bebê pode levar tempo para se formar.

  • Considere o pré-natal psicológico como prevenção para possíveis dificuldades emocionais.

Aceitação e planejamento para uma maternidade saudável

A maternidade real exige paciência e adaptação.

Compreender as mudanças emocionais e psicológicas, além de planejar com antecedência, pode ajudar a reduzir o impacto do puerpério.

Lembre-se: cada mãe tem seu tempo, e o amor pelo bebê pode ser construído com o tempo.

Esteja aberta para o processo e busque ajuda sempre que necessário.

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