Lipedema afeta 12% das mulheres e não melhora só com dieta e exercício

Especialista explica por que doença exige tratamento específico e não responde apenas a alimentação e atividade física

16 mar 2026 - 16h06

O lipedema é uma condição que afeta até 12% das mulheres e ainda é pouco compreendida. Muitas vezes, ele é confundido com obesidade ou até com celulite.

Entenda o que é a doença e quais tratamentos podem ajudar
Entenda o que é a doença e quais tratamentos podem ajudar
Foto: Shhutterstock / Saúde em Dia

Por isso, muitas pacientes passam anos tentando tratar o problema apenas com dieta e exercícios. No entanto, especialistas alertam que essas estratégias, sozinhas, nem sempre são suficientes.

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Isso acontece porque o lipedema possui características próprias, que exigem um cuidado mais específico.

O que é o lipedema

O lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas e nos quadris.

Além da alteração estética, a doença também pode causar sintomas como:

  • Dor ao toque.

  • Sensação de peso nas pernas.

  • Inchaço frequente.

  • Facilidade para formar hematomas.

Nos últimos anos, o tema ganhou mais visibilidade após relatos de figuras públicas como Yasmin Brunet, Gracyanne Barbosa e Paolla Oliveira.

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Mesmo assim, o diagnóstico ainda costuma ser tardio.

Ciência confirma que a doença tem causas próprias

Uma revisão sistemática publicada em janeiro de 2026 na revista científica Archives of Gynecology and Obstetrics reforçou que o lipedema possui uma fisiopatologia própria.

De acordo com os pesquisadores, a condição pode estar ligada a fatores como:

  • Desequilíbrios hormonais relacionados ao estrogênio.

  • Alterações genéticas no tecido adiposo.

  • Processos inflamatórios crônicos.

Essas características ajudam a explicar por que muitas mulheres não conseguem reduzir a gordura localizada apenas com métodos tradicionais de emagrecimento.

Por que dieta e exercícios nem sempre funcionam

Segundo o nutrólogo Sandro Ferraz, especialista em saúde metabólica, o tratamento do lipedema precisa ir além da perda de peso.

"O lipedema é uma doença inflamatória de baixo grau que compromete a microcirculação e o metabolismo celular. Tratar apenas o peso é ignorar a causa raiz", explica.

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Por isso, o tratamento costuma envolver uma abordagem mais ampla, voltada ao funcionamento do organismo.

Abordagens modernas focam no metabolismo

Atualmente, especialistas têm discutido terapias que atuam em três pilares principais:

  • Suporte energético das células.

  • Melhora da microcirculação.

  • Equilíbrio metabólico e hormonal.

Alguns protocolos utilizam substâncias como ácido alfa-lipoico e L-carnitina, que ajudam no funcionamento celular.

Esses compostos podem auxiliar no combate ao estresse oxidativo e no transporte de gordura para dentro das mitocôndrias, onde ela pode ser utilizada como fonte de energia.

De acordo com o especialista, o objetivo é reduzir sintomas comuns da doença, como fadiga e sensação de peso nas pernas.

Tratamento também busca melhorar a circulação

Outro ponto importante no tratamento do lipedema é a circulação sanguínea.

Substâncias como L-arginina e L-citrulina podem favorecer a produção de óxido nítrico, responsável pela vasodilatação dos vasos sanguíneos.

Esse processo ajuda a melhorar o fluxo sanguíneo nas regiões afetadas e pode contribuir para diminuir o inchaço e o acúmulo de líquidos.

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Abordagem completa é essencial

Apesar dos avanços nas estratégias terapêuticas, especialistas reforçam que o tratamento do lipedema precisa ser individualizado.

Segundo o nutrólogo, a combinação entre nutrição adequada, suporte metabólico e acompanhamento profissional é fundamental para melhores resultados.

Por isso, ao perceber sintomas persistentes, o ideal é procurar avaliação médica. O diagnóstico correto é o primeiro passo para lidar com o lipedema de forma mais eficaz.

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