Janeiro roxo reforça combate à hanseníase

Data alerta para a importância do diagnóstico precoce

7 jan 2026 - 12h09

Campanha nacional busca conscientizar população sobre doença com forte presença no território brasileiro

O mês de janeiro marca o início da campanha Janeiro Roxo, uma iniciativa nacional dedicada à conscientização sobre a hanseníase, doença que permanece como um desafio de saúde pública no Brasil. A cor roxa simboliza a luta contra o preconceito e a desinformação que ainda cercam esta enfermidade milenar, que tem cura quando diagnosticada e tratada adequadamente.

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Foto: Revista Malu

A cada ano, cerca de 200 mil novos casos de hanseníase são registrados em 120 países, de acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Os dados apontam, ainda, que o Brasil concentra cerca de 90% dos casos nas Américas.

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Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de ocorrências, atrás apenas da Índia. A doença, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, a mucosa nasal e os olhos.

"A hanseníase é uma doença completamente curável quando diagnosticada precocemente. O grande problema é que muitas pessoas ainda desconhecem os sintomas iniciais ou têm medo de procurar ajuda médica devido ao estigma histórico associado à doença", explica a dermatologista Ana Carolina Sumam.

Sintomas iniciais

Muitas pessoas confundem os primeiros sinais da hanseníase com outras condições dermatológicas. Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele, com perda de sensibilidade, são os sintomas mais comuns. Também podem ocorrer dormência nas mãos e pés, fraqueza muscular e espessamento de nervos.

Sumam destaca que "o diagnóstico tardio é o principal responsável pelas sequelas permanentes da hanseníase. Quando identificamos a doença nos estágios iniciais, conseguimos evitar as deformidades e incapacidades que tanto assombram os pacientes".

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Transmissão

Contrariando crenças populares, o toque e o compartilhamento de objetos pessoais não transmitem hanseníase. A transmissão acontece via gotículas respiratórias eliminadas por pacientes não tratados, sendo necessário contato próximo e prolongado com a pessoa infectada.

A doença possui um período de incubação longo, podendo levar de dois a sete anos para manifestar os primeiros sintomas. Isso dificulta a identificação da fonte de contágio e reforça a importância do diagnóstico precoce em casos suspeitos.

Desafios regionais persistem no país

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste concentram o maior número de casos de hanseníase no Brasil, refletindo desigualdades socioeconômicas e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Estados como Mato Grosso, Tocantins e Maranhão apresentam coeficientes de detecção superiores à média nacional.

"A hanseníase também está relacionada às condições socioeconômicas da população. Áreas com maior pobreza, aglomeração habitacional e dificuldades de acesso à saúde tendem a apresentar mais casos", observa Ana Carolina.

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A importância do diagnóstico precoce

Segundo a dermatologista Natasha Crepaldi, o autoexame da pele é um aliado importante na detecção precoce da doença. "O autoexame da pele é uma ferramenta simples, acessível e muito importante para a identificação precoce da hanseníase, já que os primeiros sinais costumam ser manchas que não doem e não coçam. Ao observar a própria pele com frequência, a pessoa consegue perceber manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou acastanhadas que apresentam diminuição ou perda de sensibilidade", explica.

A especialista reforça que qualquer alteração persistente deve ser investigada. "Sempre que uma mancha persistente apresentar alteração de sensibilidade ao toque, ao calor ou à dor, é fundamental procurar um dermatologista ou uma unidade de saúde. O diagnóstico precoce, estimulado pelo autoexame da pele, evita sequelas e interrompe a cadeia de transmissão da hanseníase", destaca Natasha.

Tratamento

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito e eficaz para todos os casos de hanseníase diagnosticados no país. A terapia consiste na poliquimioterapia (PQT), uma combinação de antibióticos específicos que deve ser seguida rigorosamente pelo período determinado pelo médico, variando de seis meses para casos paucibacilares a 18 meses para casos multibacilares.

"É fundamental que os pacientes completem todo o ciclo de tratamento, mesmo quando os sintomas desaparecem. A interrupção precoce pode levar à resistência bacteriana e ao retorno da doença", conclui a dermatologista Ana Carolina Sumam. Durante o tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença já nas primeiras doses da medicação, podendo manter suas atividades normais sem risco de contágio para familiares e contatos próximos.

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