Janeiro Branco: o ano começa pedindo cuidado, não cobrança

Especialista explica como atravessar o início do ano com mais equilíbrio mental

9 jan 2026 - 15h24

Psicoterapeuta alerta para os impactos emocionais da pressão por mudanças imediatas

Janeiro chega carregado de simbolismos. É o mês do "agora vai", das listas de metas, dos planos ambiciosos e da expectativa de que tudo precisa mudar de uma vez. No entanto, para muitas pessoas, esse período não começa com entusiasmo, mas com cansaço emocional acumulado, ansiedade e sensação de insuficiência. Em vez de motivar, a cobrança por recomeços perfeitos pode se transformar em um fator de adoecimento mental.

Foto: Revista Malu

Segundo a psicoterapeuta Daniele Caetano, fundadora da Caminhos da Terapia e da Mentoria Bem Me Quero, o discurso de renovação nem sempre respeita o tempo interno de cada indivíduo. "Existe uma narrativa coletiva de que janeiro exige energia, foco e disposição, mas a realidade emocional das pessoas é muito diversa. Quando o recomeço vira uma obrigação social, ele deixa de ser saudável", explica.

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A importância do Janeiro Branco

Um dos principais vilões desse período é a criação de metas desconectadas da realidade. Objetivos excessivos, mal definidos ou baseados em comparação costumam gerar frustração já nas primeiras semanas do ano. "Metas podem ser ferramentas de crescimento, mas quando não consideram limites emocionais e circunstâncias pessoais, elas alimentam culpa, ansiedade e esgotamento", afirma Daniele.

Identificar a diferença entre motivação genuína e autocrítica severa é um passo fundamental. De acordo com a especialista, a motivação saudável permite ajustes e acolhe erros, enquanto a autocrítica é rígida e punitiva. "Vale se perguntar: esse plano nasce do desejo ou da cobrança? Se a meta vem acompanhada de medo, comparação constante e sensação de nunca ser suficiente, algo precisa ser revisto", orienta.

As redes sociais também exercem forte influência nesse processo. No início do ano, timelines repletas de rotinas produtivas, corpos idealizados e conquistas rápidas intensificam comparações irreais. "É comum esquecer que estamos vendo recortes editados da vida do outro. Comparar o próprio processo com esses padrões gera baixa autoestima e aumenta a ansiedade", pontua a psicoterapeuta.

Dicas

Para atravessar janeiro de forma mais saudável, Daniele destaca a importância de escolhas simples e possíveis no dia a dia. Cuidar do sono, respeitar o próprio ritmo, reduzir excessos, estabelecer pausas e criar rotinas flexíveis são atitudes que ajudam a regular as emoções. "Não é sobre fazer tudo perfeitamente, mas sobre sustentar o que é viável no momento", reforça.

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Recomeçar não precisa ser sinônimo de mudanças radicais. Muitas vezes, ajustes sutis fazem mais sentido: rever expectativas, aprender a dizer não, pedir ajuda e praticar mais autocompaixão. "Autocuidado emocional não tem relação com desempenho. Ele começa quando a pessoa se escuta e age de forma coerente com a própria realidade", destaca.

Nesse contexto, a psicoterapia se torna uma importante aliada, especialmente no início do ano. O acompanhamento profissional auxilia na organização emocional, na compreensão de padrões repetitivos e na construção de objetivos mais alinhados com a vida real. Para quem já iniciou o ano se sentindo sobrecarregado, Daniele deixa um alerta final. "Reconhecer como você está, sem julgamento, é um ato de cuidado. Nomear o cansaço e buscar apoio pode evitar que o sofrimento emocional se intensifique ao longo do ano", conclui.

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