Higiene bucal eficiente: dicas de especialistas para uma escovação perfeita

Pressa, força excessiva e escovas com cerdas duras podem comprometer a higiene bucal

13 out 2026 - 15h25
Resumo
Uma higiene bucal eficiente exige atenção a todas as superfícies dentárias, e não apenas força ou frequência. Segundo a dentista Cristina Miura, o ideal é dividir a boca em áreas, priorizando as partes internas mais difíceis, além da língua. Recomenda-se o uso de escovas de cerdas macias, que limpam sem desgastar dentes ou machucar a gengiva. Mais do que o tempo gasto, a eficácia depende da técnica correta e da sensibilidade de notar os dentes lisos e livres de placa após a escovação.

Escovar os dentes faz parte da rotina diária, mas repetir esse hábito várias vezes ao dia não garante uma higiene bucal adequada. A pressa, a falta de atenção a determinadas regiões e o uso de força excessiva podem deixar áreas sem limpeza suficiente e prejudicar os dentes e a gengiva.

Entenda como melhorar a escovação e limpar todas as regiões da boca
Entenda como melhorar a escovação e limpar todas as regiões da boca
Foto: Magnific / Saúde em Dia

Segundo a cirurgiã-dentista Cristina Miura, periodontista, implantodontista e mestre em Microbiologia, um dos erros mais comuns é passar a escova sem alcançar todas as superfícies dos dentes.

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"Tem gente que escova só do lado de fora. Tem gente que só escova os dentes da frente e mais ou menos do fundo e não escova todos os cantinhos", observa.

A profissional reforça que o movimento da escova, por si só, não garante uma limpeza completa. "O simples ato de passar a escova não garante que a higiene bucal esteja perfeita e completa."

Para melhorar a escovação, é importante prestar atenção às regiões que costumam ficar esquecidas, escolher uma escova adequada e evitar movimentos que agridam os tecidos da boca.

Como escovar os dentes sem esquecer nenhuma região?

Uma maneira de organizar a higiene bucal é dividir a boca em áreas. É preciso limpar as superfícies externas e internas dos dentes superiores e inferiores, além das regiões usadas para mastigar.

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Cristina Miura recomenda começar pelas partes internas, que podem ser mais difíceis de alcançar. Assim, essas áreas recebem atenção logo no início da escovação, quando a pessoa tende a estar mais disposta a realizar a higiene.

"O ideal seria começar a escovar do lado de dentro", orienta a cirurgiã-dentista.

Depois, a escovação deve contemplar as superfícies externas e as áreas de mastigação, sem deixar de lado os dentes do fundo. A língua também merece atenção na rotina de higiene bucal.

A ordem pode ajudar a lembrar de todas as regiões, mas o objetivo principal é garantir que nenhuma superfície fique esquecida. Como a boca não permite visualizar facilmente todos os pontos durante a escovação, seguir uma sequência pode tornar o processo mais organizado.

Escova de dentes macia ou dura: qual é a melhor?

A escolha da escova também influencia a higiene bucal. Embora algumas pessoas tenham a impressão de que as cerdas duras limpam melhor, a rigidez não significa maior eficiência.

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Para explicar a diferença, Cristina compara a escovação à limpeza de um piso liso. Nesse caso, cerdas mais macias conseguem alcançar melhor determinadas irregularidades sem exigir tanta força.

"Uma vassoura macia. Essa é a lógica", explica a profissional ao fazer a comparação com a limpeza da boca.

As cerdas macias são geralmente preferíveis porque permitem uma higienização cuidadosa, com menor risco de desgaste provocado pela escovação. Já as cerdas duras, especialmente quando associadas à pressão excessiva, podem contribuir para o desgaste de partes dos dentes e causar danos à gengiva.

Esse cuidado é ainda mais importante quando a gengiva retrai e deixa parte da raiz exposta. Diferentemente da coroa, a raiz não é revestida por esmalte. A dentina exposta pode sofrer desgaste, principalmente quando há escovação agressiva.

Por isso, não é necessário pressionar a escova com força para sentir que os dentes estão limpos. O mais importante é alcançar todas as superfícies com movimentos cuidadosos.

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Qual é a técnica correta para escovar os dentes?

Não existe apenas uma técnica de escovação. A escolha depende de fatores como idade, coordenação motora e características da boca. O objetivo, independentemente do método, é remover a placa bacteriana sem machucar os dentes ou a gengiva.

Uma das técnicas conhecidas é a de Fones, que utiliza movimentos circulares e costuma ser ensinada às crianças. Na vida adulta, porém, pode ser necessário adaptar a forma de escovar para alcançar regiões mais difíceis.

Cristina Miura chama atenção para adultos que mantêm a mesma técnica aprendida na infância, mesmo quando ela não atende às necessidades atuais da boca.

O importante é não se limitar aos dentes da frente ou às superfícies mais fáceis de alcançar. Os dentes posteriores, as faces internas e as áreas próximas à gengiva também precisam de atenção.

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Se houver dúvidas sobre a técnica mais adequada, o cirurgião-dentista pode orientar os movimentos de acordo com as necessidades individuais.

Quanto tempo deve durar a escovação?

O tempo de escovação é uma dúvida comum. Existem temporizadores, aplicativos e escovas elétricas com recursos que ajudam a acompanhar a higiene. Alguns modelos também monitoram as regiões escovadas.

No entanto, a duração não deve ser o único critério para avaliar a qualidade da limpeza. Passar muito tempo escovando uma área e deixar outras de lado não garante uma higiene completa.

Para Cristina, uma maneira de perceber se a limpeza foi satisfatória é observar a textura dos dentes após a escovação.

"Usar uma escova macia e a gente sentir com a língua, passando essa escova, se os dentes ficaram lisos", recomenda.

A sensação de dentes lisos pode ajudar a perceber a remoção da placa em determinadas superfícies. Ainda assim, ela não substitui uma técnica adequada nem garante, sozinha, que todas as regiões estejam limpas.

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Manter uma rotina cuidadosa, utilizar uma escova de cerdas macias e evitar força excessiva são medidas importantes para a saúde bucal. Se houver sangramento frequente, sensibilidade ou desconforto durante a escovação, vale procurar um cirurgião-dentista. Ele vai avaliar a causa e orientar os cuidados necessários.

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