Gravidez e pele: veja o que muda em cada trimestre e os cuidados essenciais

Entre sinais discretos e mudanças mais visíveis, o organismo revela, pouco a pouco, como está se adaptando às novas demandas

9 abr 2026 - 17h03

Ao longo da gestação, o corpo feminino entra em um ritmo intenso de transformações, ajustando-se a cada fase desse processo único. Entre sinais discretos e mudanças mais visíveis, o organismo revela, pouco a pouco, como está se adaptando às novas demandas, e a pele se torna uma das principais formas de expressar essa evolução.

A pele reflete as mudanças do organismo durante a gravidez
A pele reflete as mudanças do organismo durante a gravidez
Foto: AlexanderDubrovsky | Shutterstock / Portal EdiCase

"Manchas, vasinhos aparentes, aumento da oleosidade e estrias não surgem por acaso. São respostas fisiológicas a um cenário hormonal intenso, especialmente pela ação da progesterona e do estrogênio", explica a dermatologista Dra. Glauce Eiko, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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Segundo o ginecologista e obstetra Dr. Nélio Veiga Junior, mestre e doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP), essas alterações fazem parte do processo natural da gestação.

"Diversas modificações cutâneas instalam-se, de forma fisiológica, durante o processo gravídico. Isso ocorre devido a uma maior atividade glandular da pele e pela maior produção dos hormônios (progesterona e estrogênio). Em cada fase/período da gestação, os picos desses hormônios variam e impactam na forma da manifestação cutânea", diz.

Primeiro trimestre: hiperpigmentação da pele

Conforme o Dr. Nélio Veiga Junior, no primeiro trimestre, a hiperpigmentação é o destaque. "Dentro do primeiro trimestre, podemos perceber as seguintes mudanças: aumento da pigmentação da pele em diversas regiões do corpo, como vulva, períneo, vagina, aréolas das mamas, axila, face interna da coxa e da linha alba (linha do meio do abdômen), que passa a ser chamada de linha nigrans", explica.

Além disso, conforme o médico, caso a gestante tenha cicatrizes recentes, sardas e pintas, elas também terão a pigmentação intensificada ao longo da gravidez. "Isso ocorre também pelo aumento de estrógeno e progesterona e ocorre de forma irregular no corpo materno devido à presença diferente de melanócitos na pele em cada parte do corpo", diz.

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Outra alteração bastante comum durante a gravidez está relacionada ao surgimento de manchas na pele, que exigem atenção e cuidados específicos. "No caso do aparecimento dos melasmas, que são manchas acastanhadas na face, que ocorrem principalmente na região malar, pela acentuação da pigmentação da pele pelo hormônio melanotrófico da hipófise. Se não houver exposição à radiação solar para piora da pigmentação, após o parto, a tendência é a regressão/desaparecimento, com tempo de 1 ano pós-parto. Gestantes devem evitar a luz solar e usar protetores contra raios UVA e UVB", diz o profissional.

A Dra. Glauce Eiko reforça que o melasma exige cuidado redobrado. "Como a gestação é um período de intensa estimulação dos melanócitos, mesmo pequenas exposições solares podem intensificar manchas. O uso diário de filtro solar com proteção contra UVA e UVB, reaplicado ao longo do dia, é uma das medidas mais importantes para evitar que o melasma se torne mais persistente após o parto", orienta.

Também nesse período, ocorre, segundo a médica, o aumento dos pelos e dos cabelos. "Na gravidez, por ação hormonal, aumenta-se a proporção de cabelos em fase de crescimento", destaca.

Segundo trimestre: surgimento de aranhas vasculares

No segundo semestre, os níveis elevados de estrogênio deixam marcas visíveis na circulação superficial. "Muitas gestantes notam a presença das telangiectasias ou aranhas vasculares, que são microvasos que possuem uma pequena artéria no centro com ramos bem finos ao redor e avermelhados, que se apresentam em região de face, no pescoço, no colo e nos braços devido aos altos níveis de estrogênio", comenta o Dr. Nélio Veiga Junior.

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De acordo com a Dra. Glauce Eiko, essas alterações costumam regredir após o parto, mas merecem avaliação quando são muito numerosas ou associadas a outros sintomas. "Na maioria das vezes, são benignas e transitórias. Ainda assim, acompanhamento dermatológico ajuda a diferenciar o que é fisiológico do que pode exigir tratamento específico", alerta.

A elasticidade da pele é colocada à prova no terceiro trimestre, favorecendo o surgimento de estrias
Foto: antoniodiaz | Shutterstock / Portal EdiCase

Terceiro trimestre: formação de estrias

No terceiro trimestre, à medida que o abdômen cresce, a elasticidade da pele é colocada à prova, com aparecimento de estrias. "Ao decorrer dessa fase, aproximadamente 1 de cada 2 gestantes irá apresentar algum tipo de estria, seja no abdômen e/ou mamas. Podem começar mais avermelhadas e vão se tornando esbranquiçadas (fase em que ficam mais difíceis de desaparecer)", explica o Dr. Nélio Veiga Junior.

Nesse período, fatores hormonais e características individuais também influenciam diretamente o surgimento dessas marcas. "Elas ocorrem devido a uma quebra das fibras de colágeno e elastina e surgem em oposição às linhas de tensão da pele. Isso se deve a uma associação de fatores hormonais, como os estrógenos placentários. Além da gestação, as predisposições étnica e genética são importantes para a incidência das estrias", comenta a Dra. Glauce Eiko.

Para a dermatologista, hidratação adequada e escolhas seguras fazem diferença. "Não há produto capaz de impedir totalmente as estrias quando existe predisposição genética, mas manter a pele hidratada ajuda a preservar sua elasticidade", comenta.

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Importância do acompanhamento médico

Embora muitas alterações sejam consideradas fisiológicas, os especialistas reforçam que acompanhamento pré-natal e avaliação dermatológica são aliados importantes. "A pele, afinal, é o maior órgão do corpo humano e funciona como vitrine das adaptações que acontecem internamente. Se durante a gestação ela muda de cor, textura ou comportamento, é necessário oferecer orientação adequada para que essas transformações possam ser compreendidas, acompanhadas e, quando necessário, tratadas com segurança", finaliza a Dra. Glauce Eiko.

Por Guilherme Zanette

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