Gastrite autoimune: entenda a doença que afeta mulheres acima dos 50 anos

Doença crônica faz o sistema imunológico atacar o próprio estômago, pode causar anemia e sintomas neurológicos e é mais comum em mulheres a partir dos 50 anos.

26 out 2026 - 12h11
Resumo
A gastrite autoimune é uma doença crônica que atinge sobretudo mulheres acima dos 50 anos, na qual o sistema imunológico ataca o estômago, prejudicando a absorção de ferro e vitamina B12. Frequentemente silenciosa ou ligada a outras condições autoimunes, pode causar anemias e danos neurológicos. O diagnóstico é feito por endoscopia e exames de sangue. O tratamento foca na reposição de nutrientes e no monitoramento contínuo, essencial para prevenir o risco aumentado de câncer gástrico.

Quando falamos em gastrite, quase todo mundo pensa em azia, estresse e aquela pizza de ontem. Mas existe um tipo bem diferente e menos conhecido: a gastrite autoimune, em que o próprio corpo se vira contra o estômago. E, segundo o especialista, as mulheres a partir dos 50 anos são as mais atingidas.

Foto: JU.STOCKER
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Foto: Saúde em Dia

O que é a gastrite autoimune?

É uma doença crônica em que o sistema imunológico cria anticorpos direcionados às células do próprio estômago. Esses anticorpos destroem as chamadas células parietais.

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Essas células têm duas funções importantes: produzir o ácido gástrico e uma substância chamada fator intrínseco. Sem elas, a digestão e a absorção de nutrientes ficam comprometidas.

Como essa gastrite leva à anemia?

Com menos ácido no estômago, o organismo absorve menos ferro. A consequência é a anemia por deficiência de ferro.

Já a perda do fator intrínseco atrapalha a absorção da vitamina B12, porque o sistema digestivo depende dele para isso. "Com a B12 baixa, podem surgir anemia e sintomas neurológicos, quando conhecido como anemia perniciosa", explica o gastroenterologista Eric Pereira.

Sintomas da gastrite autoimune

O desafio é que a doença pode ser completamente assintomática ou aparecer sem sinais específicos. Fique atenta a:

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  • dor abdominal e má digestão;

  • cansaço, por causa da anemia;

  • glossite, a ardência na língua;

  • dormência nos membros;

  • perda de memória;

  • alterações de comportamento ou de humor.

Mulheres após os 50 e outras doenças autoimunes

"É mais frequente em mulher a partir dos 50 anos e associa-se a outras doenças autoimunes, como tireoidite de Hashimoto, diabetes tipo 1, psoríase, vitiligo, entre outros, e por isso o médico tem que ficar atento a investigar essas outras doenças", alerta Eric Pereira.

Na prática, quem tem uma doença autoimune deve comentar com o médico qualquer sintoma digestivo ou neurológico persistente.

Como é feito o diagnóstico da gastrite

O diagnóstico envolve:

  1. endoscopia com biópsias;

  2. dosagem dos anticorpos anti-célula parietal e anti-fator intrínseco.

Deficiência de ferro e de B12 sem causa aparente também pode sugerir anemia perniciosa.

Tratamento e acompanhamento

Não existe tratamento específico para a gastrite autoimune. "O alvo é corrigir a deficiência dos nutrientes da forma correta, pois a absorção por via gastrointestinal está comprometida", explica o médico.

O acompanhamento frequente com especialista é parte essencial do cuidado, pois há risco maior de câncer e de tumor neuroendócrino no estômago. Além disso, é fundamental pesquisar a bactéria H. pylori durante a endoscopia: se estiver presente, precisa ser combatida, já que também aumenta o risco de câncer de estômago.

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A gastrite autoimune é silenciosa, crônica e mais comum em mulheres após os 50 anos, mas tem acompanhamento possível. Cansaço sem explicação, ardência na língua ou formigamento merecem uma conversa com o gastroenterologista. Diagnóstico e acompanhamento regulares fazem toda a diferença.

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