A gastrite autoimune é uma doença crônica que atinge sobretudo mulheres acima dos 50 anos, na qual o sistema imunológico ataca o estômago, prejudicando a absorção de ferro e vitamina B12. Frequentemente silenciosa ou ligada a outras condições autoimunes, pode causar anemias e danos neurológicos. O diagnóstico é feito por endoscopia e exames de sangue. O tratamento foca na reposição de nutrientes e no monitoramento contínuo, essencial para prevenir o risco aumentado de câncer gástrico.
Quando falamos em gastrite, quase todo mundo pensa em azia, estresse e aquela pizza de ontem. Mas existe um tipo bem diferente e menos conhecido: a gastrite autoimune, em que o próprio corpo se vira contra o estômago. E, segundo o especialista, as mulheres a partir dos 50 anos são as mais atingidas.
O que é a gastrite autoimune?
É uma doença crônica em que o sistema imunológico cria anticorpos direcionados às células do próprio estômago. Esses anticorpos destroem as chamadas células parietais.
Essas células têm duas funções importantes: produzir o ácido gástrico e uma substância chamada fator intrínseco. Sem elas, a digestão e a absorção de nutrientes ficam comprometidas.
Como essa gastrite leva à anemia?
Com menos ácido no estômago, o organismo absorve menos ferro. A consequência é a anemia por deficiência de ferro.
Já a perda do fator intrínseco atrapalha a absorção da vitamina B12, porque o sistema digestivo depende dele para isso. "Com a B12 baixa, podem surgir anemia e sintomas neurológicos, quando conhecido como anemia perniciosa", explica o gastroenterologista Eric Pereira.
Sintomas da gastrite autoimune
O desafio é que a doença pode ser completamente assintomática ou aparecer sem sinais específicos. Fique atenta a:
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dor abdominal e má digestão;
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cansaço, por causa da anemia;
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glossite, a ardência na língua;
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dormência nos membros;
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perda de memória;
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alterações de comportamento ou de humor.
Mulheres após os 50 e outras doenças autoimunes
"É mais frequente em mulher a partir dos 50 anos e associa-se a outras doenças autoimunes, como tireoidite de Hashimoto, diabetes tipo 1, psoríase, vitiligo, entre outros, e por isso o médico tem que ficar atento a investigar essas outras doenças", alerta Eric Pereira.
Na prática, quem tem uma doença autoimune deve comentar com o médico qualquer sintoma digestivo ou neurológico persistente.
Como é feito o diagnóstico da gastrite
O diagnóstico envolve:
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endoscopia com biópsias;
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dosagem dos anticorpos anti-célula parietal e anti-fator intrínseco.
Deficiência de ferro e de B12 sem causa aparente também pode sugerir anemia perniciosa.
Tratamento e acompanhamento
Não existe tratamento específico para a gastrite autoimune. "O alvo é corrigir a deficiência dos nutrientes da forma correta, pois a absorção por via gastrointestinal está comprometida", explica o médico.
O acompanhamento frequente com especialista é parte essencial do cuidado, pois há risco maior de câncer e de tumor neuroendócrino no estômago. Além disso, é fundamental pesquisar a bactéria H. pylori durante a endoscopia: se estiver presente, precisa ser combatida, já que também aumenta o risco de câncer de estômago.
A gastrite autoimune é silenciosa, crônica e mais comum em mulheres após os 50 anos, mas tem acompanhamento possível. Cansaço sem explicação, ardência na língua ou formigamento merecem uma conversa com o gastroenterologista. Diagnóstico e acompanhamento regulares fazem toda a diferença.