Férias reduzem o risco de infarto?
As férias costumam ser associadas ao descanso, à pausa no trabalho e à redução do estresse. Para muitas pessoas, esse período representa mais bem-estar e qualidade de vida. Mas será que férias realmente reduzem o risco de infarto?
Segundo especialistas, a resposta está diretamente ligada ao impacto do estresse na saúde do coração.
A relação entre estresse e doenças cardíacas
De acordo com o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães, do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, o estresse crônico é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares.
"A exposição constante a cobranças, prazos e tensão emocional eleva os níveis de cortisol e adrenalina. Isso favorece o aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e da inflamação vascular", explica o médico.
Com o tempo, esse cenário sobrecarrega o sistema cardiovascular e aumenta o risco de eventos como o infarto.
Descanso ajuda, mas não é um escudo
Reduzir o estresse faz bem ao coração. Durante as férias, muitas pessoas dormem melhor, desaceleram o ritmo e se afastam das pressões do dia a dia.
"Quando a pessoa consegue descansar de verdade e se desconectar das preocupações rotineiras, o corpo entra em um estado de recuperação. Isso pode contribuir para a redução do risco cardiovascular", afirma o cardiologista.
No entanto, o especialista faz um alerta importante: férias não funcionam como um fator de proteção isolado.
"Elas ajudam, mas não anulam outros riscos. Hipertensão, colesterol alto, sedentarismo, tabagismo e alimentação inadequada continuam pesando, mesmo durante o descanso", ressalta.
Hábitos nas férias fazem diferença
Para que as férias tenham impacto positivo na saúde do coração, os hábitos adotados nesse período são decisivos.
"Muita gente associa férias a excessos. Mais álcool, alimentação desregrada e menos cuidado com horários podem anular os benefícios do descanso", explica Dr. Raphael.
Algumas atitudes simples ajudam a manter o equilíbrio cardiovascular:
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Praticar atividade física moderada, como caminhadas
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Priorizar refeições mais leves
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Manter boa hidratação
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Respeitar o sono
Esses cuidados ajudam o corpo a se recuperar sem sobrecarregar o coração.
Nem toda férias é sinônimo de relaxamento
Outro ponto importante é que nem todas as férias são, de fato, tranquilas. Viagens mal planejadas, longos deslocamentos, calor excessivo e noites mal dormidas também geram estresse físico e emocional.
"Esses fatores podem sobrecarregar o coração, especialmente em pessoas que já têm alguma doença cardíaca", alerta o cardiologista.
Além disso, mudanças bruscas na rotina podem impactar o organismo. "Eventos cardiovasculares podem ocorrer justamente nesses períodos de transição", explica.
Quando o alerta deve acender
Mesmo durante as férias, alguns sintomas não devem ser ignorados:
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Dor no peito
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Falta de ar
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Palpitação intensa
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Tontura
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Cansaço extremo
"A ideia de não 'estragar a viagem' faz muita gente adiar a busca por atendimento médico, o que pode ser perigoso", alerta Dr. Raphael.
Férias ajudam, mas o cuidado precisa ser contínuo
As férias podem, sim, reduzir o estresse e contribuir indiretamente para a diminuição do risco de infarto. Mas o cuidado com o coração deve ser constante.
"O ideal é enxergar o descanso como parte de um estilo de vida mais saudável, e não como um período de compensação", conclui Dr. Raphael Boesche Guimarães.