Em meio à popularização do Mounjaro (tirzepatida) como uma das principais ferramentas para emagrecimento, especialistas reforçam que a perda de peso sem a prática de musculação pode trazer efeitos indesejados para a composição corporal. Embora o medicamento contribua para a redução dos quilos na balança, a ausência de treinamento de força pode favorecer a perda de massa muscular, comprometendo o metabolismo, a funcionalidade e até a manutenção dos resultados a longo prazo.
Segundo Bruno Castellar, personal trainer e coordenador técnico fitness da Bodytech, o uso do medicamento deve estar associado a hábitos que ajudem a preservar a massa magra durante o processo de emagrecimento.
"Usar o Mounjaro sem incluir musculação na rotina pode levar o corpo a reduzir a preservação de massa muscular. Nesse cenário, a perda de peso até acontece, mas parte dela pode vir da diminuição de massa magra, e não apenas da redução de gordura corporal", esclarece o profissional.
O tema ganha relevância em um momento em que o Mounjaro se consolida como fenômeno mundial. De acordo com um levantamento da agência de notícias Bloomberg, o medicamento para diabetes e obesidade se tornou o remédio mais vendido do mundo, superando o Keytruda, utilizado no tratamento do câncer e líder do ranking global desde o primeiro trimestre de 2023. Apenas nos três primeiros meses deste ano, o fármaco movimentou US$ 8,7 bilhões em vendas.
Considerado por muitos como o sucessor do Ozempic, o Mounjaro ganhou espaço por prometer resultados mais expressivos na perda de peso. No entanto, Castellar explica que emagrecer não significa necessariamente melhorar a composição corporal.
Na prática, uma pessoa pode perder peso, mas manter um percentual elevado de gordura caso a redução ocorra principalmente às custas da massa muscular. Além do impacto estético, essa mudança pode provocar diminuição do gasto energético diário, já que o músculo desempenha papel fundamental no metabolismo.
Outro risco é a recuperação mais rápida do peso após a interrupção do medicamento. Isso porque a perda de massa magra pode facilitar o ganho posterior de gordura corporal, tornando mais difícil a manutenção dos resultados alcançados.
"Como acontece com qualquer medicamento, o resultado depende da dose, da indicação e da forma de uso. O ideal é combinar acompanhamento médico, orientação nutricional e treino de força para emagrecer com mais segurança e preservar a saúde durante todo o processo", pontua Bruno.
Treino e alimentação devem caminhar juntos
Segundo o especialista, pessoas em uso do Mounjaro podem apresentar alterações no rendimento durante os exercícios. Entre os sintomas mais comuns estão redução da força, cansaço mais rápido, episódios de enjoo e queda de pressão.
Por isso, o treinamento deve ser ajustado de forma individualizada, respeitando a resposta de cada organismo, mas sem abandonar os estímulos voltados para o fortalecimento muscular.
A alimentação também tem papel decisivo. O acompanhamento nutricional adequado, especialmente com atenção ao consumo de proteínas e carboidratos, ajuda a minimizar a perda excessiva de massa magra e favorece um emagrecimento mais sustentável.
Castellar destaca que caminhar regularmente traz benefícios importantes para a saúde, mas pode não ser suficiente para preservar a musculatura em muitos casos. A musculação e outros exercícios de força são fundamentais para manter o metabolismo ativo, a autonomia funcional e a qualidade corporal.
Além disso, a massa magra funciona como uma reserva importante para o organismo ao longo da vida, contribuindo para uma melhor adaptação a restrições alimentares, mudanças metabólicas e ao envelhecimento.