Endometriose: casos da doença crescem 10% no mundo; entenda

O ginecologista Dr. Ricardo Cobucci esclarece dúvidas sobre a doença que atinge 20 milhões de mulheres no mundo

13 mai 2026 - 19h00

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que atinge milhões de mulheres. Segundo estudo recente da Frontiers in Endocrinology, o número de casos subiu 10% globalmente entre 1990 e 2021.

Entenda quando a cólica não é normal e pode indicar endometriose
Entenda quando a cólica não é normal e pode indicar endometriose
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

No Brasil, a prevalência em mulheres em idade reprodutiva é de 6,4%. A doença ocorre quando células semelhantes ao endométrio crescem fora do útero.

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"A conduta de diagnóstico mudou. Não é mais necessário realizar cirurgia para biópsia", explica o Dr. Ricardo Cobucci, ginecologista e professor da UnP/Inspirali.

Quais são os principais sintomas?

Os sinais da doença variam muito entre as pacientes. A tríade clássica costuma envolver dor intensa e dificuldade para engravidar.

O Dr. Ricardo destaca os sintomas mais frequentes:

  • Dismenorreia: cólicas menstruais intensas que não passam com analgésicos.

  • Dor na relação: desconforto profundo durante ou após o contato sexual.

  • Dor pélvica crônica: dor no baixo ventre mesmo fora do período menstrual.

  • Alterações urinárias: dor para urinar ou inchaço abdominal durante o fluxo.

Perigo do diagnóstico tardio

Muitas mulheres demoram de 6 a 10 anos para receber o diagnóstico correto. Isso ocorre porque cólicas fortes são frequentemente normalizadas pela sociedade.

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"A intensidade da dor não é proporcional ao tamanho das lesões", ressalta o médico. Por isso, algumas mulheres descobrem a doença apenas ao tentar engravidar.

Hoje, o diagnóstico é feito por exames de imagem especializados. O ultrassom transvaginal com preparo intestinal é uma das ferramentas mais eficazes.

Riscos para o coração e fertilidade

A endometriose pode causar aderências que "colam" os órgãos pélvicos. Além disso, a doença está associada a riscos cardiovasculares importantes.

Um estudo recente aponta que portadoras têm risco 35% maior de infarto. Isso se deve ao estado de inflamação crônica nos vasos sanguíneos.

Quanto à fertilidade, estima-se que 30% a 50% das pacientes enfrentem dificuldades. No entanto, muitas conseguem engravidar com o tratamento adequado.

É possível viver bem com a doença?

Embora não haja uma cura definitiva, a endometriose é plenamente controlável. O tratamento é individualizado e foca na qualidade de vida da paciente.

"Com acompanhamento médico e dieta anti-inflamatória, a paciente tem uma rotina normal", afirma o Dr. Cobucci.

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Os pilares do tratamento incluem:

  1. Uso de hormônios: para bloquear a menstruação e estabilizar a inflamação.

  2. Cirurgia: indicada para retirar focos da doença em casos específicos.

  3. Multidisciplinaridade: fisioterapia pélvica, nutrição e suporte psicológico são essenciais.

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